Fui abandonada por meu marido semana passada. Espetáculo imperdível no Palácio das Artes, homenageando nossa família de Noiva do Cordeiro, e o "mardito" se recusou a comparecer. Fui sozinha. Não podia fazer desfeita.
Voltando pra casa contrariada, uma vez que o tal espetáculo não correspondeu às minhas expectativas, entro num táxi. O motorista deve ter percebido meu perrengue e deu de conversar. Falou o resultado do jogo Atléticox Coritiba - 2x1 pro Coritiba- menos mal, já comecei a me alegrar - e danou num conversê que parecia ler meu desapontamento com a tal saída de viúva de marido vivo.
Bom, lá pela praça da Bandeira, quase chegando ao rumo objetivado, sai ele com esta:
"Olhaqui, moça, você deu foi sorte. Passei pela Afonso Pena sem a menor vontade de pegar nenhum passageiro. Quando te vi ali, sozinha, com aquela cara triste, pensei em fazer uma boa ação e parei".
Perguntei: "Mas como assim? Vc tava fazendo caridade ou trabalhando?"
Ele: " Ó, trabalhei desde as 8 da manhã, mas como já fui assaltado 4 vezes fico esperto e não paro à noite pra qualquer um."
Eu: "QUATRO VEZES? Caramba! Isso tudo?"
Ele: " Quatro fui assaltado de verdade. Mais umas quatro ou cinco apanhei muito, mas desobedeci e não entreguei a grana..."
Fala sério, gente - Cumé que um sujeito desses ainda acredita em cara triste de mulher e pára...
Será que vagabunda tem a cara alegre sempre?
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Mãe poderosa!





Gente!!! Posso mesmo ser uma mãe muito metida a besta, heim? Minha flor mais linda - LIS - tá podendo com suas jóias maravilhosas.
Pelo visto não fui a única a se encantar - Luana Piovani virou fã número 2, já que a número 1 sou eu.
Dêem uma passeada pelo link anexado e conheçam a coleção toda.
Beijos vaidosos
Cândida
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
NARCISO E OS BLOGUEIROS...
Ainda antes do feriadão acabar, faço um balanço dos deliciosos dias que passei junto aos meus. Tivemos tempo pra limpar e transplantar a horta; receber amigos que vieram fazer comidas deliciosas; uma que trouxe a mãe que veio de longe pra nos conhecer - o que nos deu uma alegria enorme, porque são pessoas adoráveis; outros que aproveitaram a folga pra passar o dia conosco trocando figurinhas; rever minha amada irmã e sua trupe, que fugiu do aeroporto só pra tomar um cafezinho aqui em casa e nos encher de beijos; Enfim, muito bons esses dias por conta do à toa.
Uma das amigas que apareceu depois de muito tempo disse uma coisa que me deixou encabulada. Ela acha muito narcisista quem tem um blog. Fala que lê sempre, mas nem comenta porque tem esta opinião.
Tentei entender a impressão dela, respeito e concordo. Bem, sou obrigada a concordar, já que dá uma alegria imensa saber que tem um monte de gente interessada no que escrevemos, pessoas que gostam dos "causos", que riem de nossas trapalhadas - né Liliana?
Tem os que gostam mesmo é de papo cabeça, de quem entende de política, futebol, economia, teatro e o escambáu. Meu Walmir que o diga, porque o blog dele é visitadíssimo e ele nem dá conta de publicar tantos comentários que recebe. Fico até com inveja da popularidade do rapaz...
Aí vem a razão de minha postagem de hoje: é ruim ser narcisista? Devemos pensar primeiro em nós ou nos outros? Estou perguntando, fazendo uma enquete, porque sinceramente não sei.
Todos sabem que tenho um moooonte de filhos, cuido deles e de mais um tanto de gente que me rodeia com grande prazer, mas é porque tenho um prazer ainda maior em tê-los por perto. Nunca me fiz de boazinha, de coitada, que se atropela de trabalho pra servir sem ter algum reconhecimento. Acredito que ninguém é bonzinho sem interesse, que cada um que dá espera um mínimo de retorno afetivo, senão fica muito pesado o tal cuidado. Dá raiva, a gente se sente explorado.
Sempre disse aos meus filhos o quanto meu amor por eles é infinito, mas que eles têm que dar valor aos meus atentos cuidados. O amor pode não acabar nunca - e penso que amor de mãe não tem fim mesmo, mas não sou uma protetora descartável, que serei valorizada enquanto for útil. Nada disso, e meus anjos sabem. Cuidam muito bem de mim, tanto quanto eu deles - menos, mas cuidam...rs
Se tem uma coisa que me irrita é ver alguém falando coisas do tipo: "Nunca tive coragem de me separar por causa dos filhos"; "Faço tudo por todos sem esperar gratidão"; "Cumpro minha missão neste mundo desisteressadamente"... Ah, me poupe!
Ó, quer saber? Sou uma ótima mãe, amiga leal e bom astral, esposa maravilhosa, filha dedicada, irmã-rirmã, patroa justa, e ainda tenho que ser boazinha?
Somos bons. Eu e Narciso. Um brinde aos blogueiros!
Uma das amigas que apareceu depois de muito tempo disse uma coisa que me deixou encabulada. Ela acha muito narcisista quem tem um blog. Fala que lê sempre, mas nem comenta porque tem esta opinião.
Tentei entender a impressão dela, respeito e concordo. Bem, sou obrigada a concordar, já que dá uma alegria imensa saber que tem um monte de gente interessada no que escrevemos, pessoas que gostam dos "causos", que riem de nossas trapalhadas - né Liliana?
Tem os que gostam mesmo é de papo cabeça, de quem entende de política, futebol, economia, teatro e o escambáu. Meu Walmir que o diga, porque o blog dele é visitadíssimo e ele nem dá conta de publicar tantos comentários que recebe. Fico até com inveja da popularidade do rapaz...
Aí vem a razão de minha postagem de hoje: é ruim ser narcisista? Devemos pensar primeiro em nós ou nos outros? Estou perguntando, fazendo uma enquete, porque sinceramente não sei.
Todos sabem que tenho um moooonte de filhos, cuido deles e de mais um tanto de gente que me rodeia com grande prazer, mas é porque tenho um prazer ainda maior em tê-los por perto. Nunca me fiz de boazinha, de coitada, que se atropela de trabalho pra servir sem ter algum reconhecimento. Acredito que ninguém é bonzinho sem interesse, que cada um que dá espera um mínimo de retorno afetivo, senão fica muito pesado o tal cuidado. Dá raiva, a gente se sente explorado.
Sempre disse aos meus filhos o quanto meu amor por eles é infinito, mas que eles têm que dar valor aos meus atentos cuidados. O amor pode não acabar nunca - e penso que amor de mãe não tem fim mesmo, mas não sou uma protetora descartável, que serei valorizada enquanto for útil. Nada disso, e meus anjos sabem. Cuidam muito bem de mim, tanto quanto eu deles - menos, mas cuidam...rs
Se tem uma coisa que me irrita é ver alguém falando coisas do tipo: "Nunca tive coragem de me separar por causa dos filhos"; "Faço tudo por todos sem esperar gratidão"; "Cumpro minha missão neste mundo desisteressadamente"... Ah, me poupe!
Ó, quer saber? Sou uma ótima mãe, amiga leal e bom astral, esposa maravilhosa, filha dedicada, irmã-rirmã, patroa justa, e ainda tenho que ser boazinha?
Somos bons. Eu e Narciso. Um brinde aos blogueiros!
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
MULHERES MINHAS
Recebi hoje de uma grande amiga linda mensagem sobre as mulheres. Tenho a maior preguiça de abrir qualquer coisa que chegue como encaminhada pr'um monte de gente; acho impessoal, imagino que quem mandou teve preguiça também e mandou por mandar. Na maioria das vezes nem abro, mas esta a que me refiro abri... Grata surpresa!
Linda a mensagem, tanto quanto a amiga, por sinal prima predileta. Acho a palavra "predileta" tão jeca que adotei pra me referir à dita cuja, já que somos tão bacanas que até o que é jeca fica bacana também. Ela sabe o quanto é especial em minha vida, né Frango?
Então - lá vou eu com minhas eternas reflexões e lembranças. Quem não me conhece deve achar que não faço mais nada além de pensar, mas faço, só que fico quieta em meu atelier, trabalhando calada e pensando sempre.
Tenho uma irmã encantadora - Tê é o nome dela. A única, a mais linda, a mais sensacional, a mais vaidosa, a mais amorosa, que diz "te amo" toda vez que desliga o telefone - o que acontece quase todos os dias. Eu também amo muito esta menina. Ciumenta demais, diga-se de passagem. Vira e mexe me cobra uma declaração de amor pública, que nem a que faço agora. É que, apesar de sermos irmãs de pai e mãe, só nos conhecemos de fato há uns poucos anos, uns 10, talvez.
Mas olhem que valeu a pena esperar! Penso que nosso tempo tinha que demorar mesmo um tanto, pra gente crescer e se encontrar no ponto em que aconteceu. Quando me casei pela primeira vez ela 'tava lá nas fotos, de vestidinho azul e tamanco francesinha, uma menina. A menina cresceu e virou um mulherão. Continua brava a bichinha, mas doce como uma criança. Fala alto, chama o mundo na correção, mas é uma doce menina.
Não consigo imaginar minha vida sem ela, sem nossas looongas conversas - quase sempre por telefone, já que moramos longe uma da outra, sem o apoio moral em toda e qualquer circunstância, sem os desabafos da vontade de chutar o pau da barraca... Ah, é muito bom ser sua "rirmã", florzinha!
Explicando: ela me chama de rirmã porque só vivo rindo e ainda consigo fazê-la rir sempre, com meu jeito abaianado, estabanado e desligado. Parece que tudo o que acontece fica engraçado quando estamos juntas. Nossas viagens são sempre divertidas e inesquecíveis, e os fatos conspiram a favor de nossa diversão. Quando a situação parece não ter conserto, consigo parar pra pedir informação - e aí o sujeito informante é gago e caímos na risada. Continuamos perdidas, mas rindo... É ou não é demais ter uma irmã dessas?
Tem ainda minha filha Lis, princesa braba e apaixonante, as grandes amigas, que não posso citar com medo de esquecer alguma, mas cada uma delas sabe o quanto me importa. São mulheres de todo jeito: certinhas, normais, doidas, doidas demais. Gosto de cada uma do jeitinho que é, sem tirar nem por. Algumas vêm desde a infância, outras nem de tanto tempo, mas tão amigas quanto. Bacanas, lindas, complicadas como a maioria das mulheres, chatas e ainda adoráveis, falam demais ou de menos, choram por qualquer motivo e até sem motivo nenhum, amam ou toleram seus homens ou suas próprias mulheres - já que algumas são casadas entre si, cuidam dos pais doentes com uma dedicação infinita, gostam de mim e de minha família, estão sempre presentes nem que seja por e-mail, enfim, nenhum de meus homens já citados n'outra postagem supera minhas mulheres.
Cada um deles tem seu canto em minha vida, abençoada vida. Tenho certeza de que não passei por aqui em vão...
Linda a mensagem, tanto quanto a amiga, por sinal prima predileta. Acho a palavra "predileta" tão jeca que adotei pra me referir à dita cuja, já que somos tão bacanas que até o que é jeca fica bacana também. Ela sabe o quanto é especial em minha vida, né Frango?
Então - lá vou eu com minhas eternas reflexões e lembranças. Quem não me conhece deve achar que não faço mais nada além de pensar, mas faço, só que fico quieta em meu atelier, trabalhando calada e pensando sempre.
Tenho uma irmã encantadora - Tê é o nome dela. A única, a mais linda, a mais sensacional, a mais vaidosa, a mais amorosa, que diz "te amo" toda vez que desliga o telefone - o que acontece quase todos os dias. Eu também amo muito esta menina. Ciumenta demais, diga-se de passagem. Vira e mexe me cobra uma declaração de amor pública, que nem a que faço agora. É que, apesar de sermos irmãs de pai e mãe, só nos conhecemos de fato há uns poucos anos, uns 10, talvez.
Mas olhem que valeu a pena esperar! Penso que nosso tempo tinha que demorar mesmo um tanto, pra gente crescer e se encontrar no ponto em que aconteceu. Quando me casei pela primeira vez ela 'tava lá nas fotos, de vestidinho azul e tamanco francesinha, uma menina. A menina cresceu e virou um mulherão. Continua brava a bichinha, mas doce como uma criança. Fala alto, chama o mundo na correção, mas é uma doce menina.
Não consigo imaginar minha vida sem ela, sem nossas looongas conversas - quase sempre por telefone, já que moramos longe uma da outra, sem o apoio moral em toda e qualquer circunstância, sem os desabafos da vontade de chutar o pau da barraca... Ah, é muito bom ser sua "rirmã", florzinha!
Explicando: ela me chama de rirmã porque só vivo rindo e ainda consigo fazê-la rir sempre, com meu jeito abaianado, estabanado e desligado. Parece que tudo o que acontece fica engraçado quando estamos juntas. Nossas viagens são sempre divertidas e inesquecíveis, e os fatos conspiram a favor de nossa diversão. Quando a situação parece não ter conserto, consigo parar pra pedir informação - e aí o sujeito informante é gago e caímos na risada. Continuamos perdidas, mas rindo... É ou não é demais ter uma irmã dessas?
Tem ainda minha filha Lis, princesa braba e apaixonante, as grandes amigas, que não posso citar com medo de esquecer alguma, mas cada uma delas sabe o quanto me importa. São mulheres de todo jeito: certinhas, normais, doidas, doidas demais. Gosto de cada uma do jeitinho que é, sem tirar nem por. Algumas vêm desde a infância, outras nem de tanto tempo, mas tão amigas quanto. Bacanas, lindas, complicadas como a maioria das mulheres, chatas e ainda adoráveis, falam demais ou de menos, choram por qualquer motivo e até sem motivo nenhum, amam ou toleram seus homens ou suas próprias mulheres - já que algumas são casadas entre si, cuidam dos pais doentes com uma dedicação infinita, gostam de mim e de minha família, estão sempre presentes nem que seja por e-mail, enfim, nenhum de meus homens já citados n'outra postagem supera minhas mulheres.
Cada um deles tem seu canto em minha vida, abençoada vida. Tenho certeza de que não passei por aqui em vão...
domingo, 20 de setembro de 2009
CAMINHADA FALANTE
Nunca consegui entender como as mulheres tem competência pra assimilar tantas informações ao mesmo tempo. Lembro bem das reuniões de minha família, quando mamãe e as 6 irmãs – eram chamadas de 7 maravilhas – se encontravam. Uma determinada vez filmei o encontro e foi muito legal assistir às cenas depois sem som. Durante quase uma hora nenhuma ficou quieta, todas falavam ao mesmo tempo, gesticulavam, cutucavam umas às outras, enfim, parecia que estavam brigando.
Sobre quantas coisas 3 mulheres conversam numa caminhada de 50 minutos? Ninguém além delas pode imaginar, e se facilitar nem as próprias conversantes. O mais engraçado é que nenhum assunto é terminado, porque uma vai inteirando o assunto da outra e, quando damos por fé, das jabuticabas do Cordeiro mudamos, sem quê nem pra quê, pro AVC do tio, que num piscar de olhos virou a receita do pão integral que a amiga ensinou, que do nada chegou na montagem da árvore de natal porque o tempo passa tão depressa que natal é semana que vem, que já dá vontade de chorar em uma porque a filha ‘tá morando nos EUA, aí a outra inveja a emoção e se lembra de que tem um casamento daí a uma semana e o vestido não entra porque engordou 4 kg, da gripe suína que matou o cunhado da prima do padrasto de não sei quem, pula pros queijos a preço de banana que todas querem comprar, aí vem a lembrança daquela amiga que ‘tá com uma dor fininha – vê se dor tem espessura, mas a de nossa amiga tem - e por aí vai.
Lembramos da lojinha de vovô Miguel e do que vendia lá, uma citando uma coisa, a outra completando: fumo de rolo, sabonete Eucalol, fósforos, regulador Xavier ( 1 para excesso, 2 para escassez ), bicicleta, aviamentos, machado, penico, bala doce, bala de revólver, galocha, gravata, corte de tecido, biscoito de goma, sombrinha, bola de gude, Cibalena, pilha, caderno, Leite de rosas, coroa de defunto, velas, rádio, couro pra pandeiro, foice...
E foi-se – cada uma pro seu lado. A caminhada acaba e os assuntos ficam sempre inacabados.
Biêto, Frango e Canquinha amanhã caminham de novo e continuam a prosa...
Sobre quantas coisas 3 mulheres conversam numa caminhada de 50 minutos? Ninguém além delas pode imaginar, e se facilitar nem as próprias conversantes. O mais engraçado é que nenhum assunto é terminado, porque uma vai inteirando o assunto da outra e, quando damos por fé, das jabuticabas do Cordeiro mudamos, sem quê nem pra quê, pro AVC do tio, que num piscar de olhos virou a receita do pão integral que a amiga ensinou, que do nada chegou na montagem da árvore de natal porque o tempo passa tão depressa que natal é semana que vem, que já dá vontade de chorar em uma porque a filha ‘tá morando nos EUA, aí a outra inveja a emoção e se lembra de que tem um casamento daí a uma semana e o vestido não entra porque engordou 4 kg, da gripe suína que matou o cunhado da prima do padrasto de não sei quem, pula pros queijos a preço de banana que todas querem comprar, aí vem a lembrança daquela amiga que ‘tá com uma dor fininha – vê se dor tem espessura, mas a de nossa amiga tem - e por aí vai.
Lembramos da lojinha de vovô Miguel e do que vendia lá, uma citando uma coisa, a outra completando: fumo de rolo, sabonete Eucalol, fósforos, regulador Xavier ( 1 para excesso, 2 para escassez ), bicicleta, aviamentos, machado, penico, bala doce, bala de revólver, galocha, gravata, corte de tecido, biscoito de goma, sombrinha, bola de gude, Cibalena, pilha, caderno, Leite de rosas, coroa de defunto, velas, rádio, couro pra pandeiro, foice...
E foi-se – cada uma pro seu lado. A caminhada acaba e os assuntos ficam sempre inacabados.
Biêto, Frango e Canquinha amanhã caminham de novo e continuam a prosa...
sábado, 19 de setembro de 2009
MEUS HOMENS
Vou plagiar minha filha, que tempos atrás escreveu em seu blog sobre os homens da vida dela.
Estou longe de casa, em viagem com um deles – meu marido, e longe de todos os outros. De alguns a saudade é de apenas 2 dias – meus filhos; de outros – vovô, Wilton, sobrinhos e amigos- de mais tempo; de dois deles, eterna – meu pai e tio.
Sempre tive ótima referência dos homens que me ajudaram a crescer, dos que ajudei a crescer e dos que crescemos juntos. Na infância tive vovô Antoninho, papai e Zé Lú, tio emprestado.
Vovô foi carinho, cuidado, quintal, gosto por plantas, bichos e café com rapadura, subidas e caídas de árvores - que eram cortadas pelo talo cada vez que um neto se esborrachava de cima dela...
Papai - parceiro, alma gêmea que veio pra mim nesta encarnação como pai e filha, companheiro de pescarias, caçadas, gosto por cachaça, festa junina nas roças, proteção contra raios e trovoadas, literalmente. Meu medo de chuva veio desde sempre, e quando o tempo fechava tudo o que eu queria ouvir – e ouvia – era a frase abençoada: “Fique aqui, minha filha, que raio eu pego aqui, na mão...”. E pegava mesmo. Quando ele se foi fiquei sem pára-raios.
Lembro-me com alegria de algumas passagens de nossa vida juntos, como quando fui me casar pela primeira vez, aos 19 anos. Mamãe me disse que era pra pensar bem, que casamento era pra sempre, que era uma cruz que eu teria que carregar pro resto da vida. Depois que ela saiu de perto ele sussurrou: “Ó, preocupe não. Se a cruz pesar demais encosta ela no barranco e pica a mula...”. Falava que a única coisa que mata é tristeza. Tinha razão. Sabia das coisas meus pai.
Com Zé Lú aprendi a gostar de prosa mansa, cigarro de palha, a fazer cachaça e queijos, a dar colo pra todo mundo quando a vida pesa.
Chega Walmir, meu grande amor, mandado por papai lá de onde ele está. Deve ser um bom lugar, pra ter tempo de me abençoar e continuar cuidando de mim sempre que meu coração aperta. Penso nele, acredito que vai dar certo e dá mesmo.
Walmir tem muito de cada um destes. Sabe ouvir, falar, proteger, cuidar, dar colo e deitar no colo também, sabe ser forte e frágil, gosta de pescaria e de mato, corta as árvores que me derrubam sem alarde e planta outras no lugar, enche meu peito de amor e orgulho.
Meus filhos homens – cada um de seu jeito, uns mais sérios, outros mais desatentos, mas encantadores todos eles. São muitos, seis ao todo, os que nasceram de mim e os que me chegaram prontos, com meu amor. Sou surpreendida com o que aprendo com cada um todos os dias. Uns ficam por perto e os outros aparecem de tempos em tempos, mas é sempre muito alegre estar com eles.
Agora estão vindo os netos. Na comunidade Noiva do Cordeiro cada bebê que chega adoto em meu coração como neto, e começo a exercitar o papel de avó. Faço dormir, dengo, socorro nas quedas, brinco, enfim, acredito que estarei pronta pra quando os netos de sangue chegarem.
Os grandes amigos – eles sabem que o são, estão sempre presentes em minha vida. De igual forma diferentes (sic...), é com uma liberdade deliciosa que convivemos. Falo de minhas coisas sem pudor e sei que sou uma ouvinte despudorada pra eles também. Têm liberdade de me contar dos relacionamentos amorosos, de trabalho, pedem e dão palpites (acho conselho muito arrogante). Adoráveis.
Enfim, abençoados sejam meus homens!
Estou longe de casa, em viagem com um deles – meu marido, e longe de todos os outros. De alguns a saudade é de apenas 2 dias – meus filhos; de outros – vovô, Wilton, sobrinhos e amigos- de mais tempo; de dois deles, eterna – meu pai e tio.
Sempre tive ótima referência dos homens que me ajudaram a crescer, dos que ajudei a crescer e dos que crescemos juntos. Na infância tive vovô Antoninho, papai e Zé Lú, tio emprestado.
Vovô foi carinho, cuidado, quintal, gosto por plantas, bichos e café com rapadura, subidas e caídas de árvores - que eram cortadas pelo talo cada vez que um neto se esborrachava de cima dela...
Papai - parceiro, alma gêmea que veio pra mim nesta encarnação como pai e filha, companheiro de pescarias, caçadas, gosto por cachaça, festa junina nas roças, proteção contra raios e trovoadas, literalmente. Meu medo de chuva veio desde sempre, e quando o tempo fechava tudo o que eu queria ouvir – e ouvia – era a frase abençoada: “Fique aqui, minha filha, que raio eu pego aqui, na mão...”. E pegava mesmo. Quando ele se foi fiquei sem pára-raios.
Lembro-me com alegria de algumas passagens de nossa vida juntos, como quando fui me casar pela primeira vez, aos 19 anos. Mamãe me disse que era pra pensar bem, que casamento era pra sempre, que era uma cruz que eu teria que carregar pro resto da vida. Depois que ela saiu de perto ele sussurrou: “Ó, preocupe não. Se a cruz pesar demais encosta ela no barranco e pica a mula...”. Falava que a única coisa que mata é tristeza. Tinha razão. Sabia das coisas meus pai.
Com Zé Lú aprendi a gostar de prosa mansa, cigarro de palha, a fazer cachaça e queijos, a dar colo pra todo mundo quando a vida pesa.
Chega Walmir, meu grande amor, mandado por papai lá de onde ele está. Deve ser um bom lugar, pra ter tempo de me abençoar e continuar cuidando de mim sempre que meu coração aperta. Penso nele, acredito que vai dar certo e dá mesmo.
Walmir tem muito de cada um destes. Sabe ouvir, falar, proteger, cuidar, dar colo e deitar no colo também, sabe ser forte e frágil, gosta de pescaria e de mato, corta as árvores que me derrubam sem alarde e planta outras no lugar, enche meu peito de amor e orgulho.
Meus filhos homens – cada um de seu jeito, uns mais sérios, outros mais desatentos, mas encantadores todos eles. São muitos, seis ao todo, os que nasceram de mim e os que me chegaram prontos, com meu amor. Sou surpreendida com o que aprendo com cada um todos os dias. Uns ficam por perto e os outros aparecem de tempos em tempos, mas é sempre muito alegre estar com eles.
Agora estão vindo os netos. Na comunidade Noiva do Cordeiro cada bebê que chega adoto em meu coração como neto, e começo a exercitar o papel de avó. Faço dormir, dengo, socorro nas quedas, brinco, enfim, acredito que estarei pronta pra quando os netos de sangue chegarem.
Os grandes amigos – eles sabem que o são, estão sempre presentes em minha vida. De igual forma diferentes (sic...), é com uma liberdade deliciosa que convivemos. Falo de minhas coisas sem pudor e sei que sou uma ouvinte despudorada pra eles também. Têm liberdade de me contar dos relacionamentos amorosos, de trabalho, pedem e dão palpites (acho conselho muito arrogante). Adoráveis.
Enfim, abençoados sejam meus homens!
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
DESRESPEITO À LÍNGUA PÁTRIA
Se tem coisa que me deixa contrariada é ver como a nossa língua anda maltratada. Lembro-me de como minha professora de português era exigente, rabugenta, encrenqueira quando nos pegava dando bobeira na língua pátria. Dona Dedé era assim, felizmente, e a cobrança foi tanta que duvido algum de seus alunos seja capaz de cometer grandes erros.
Ontem dei de assistir a um programa de entrevista da Record News, cujo apresentador é Celso Freitas. Ele entrevistava Fátima Turci, editora de Economia não sei de que jornal. A moça se gabava de ter 35 anos de carreira como reporter - do Estadão durante muitos anos, de outro jornal não sei mais quantos, da assessoria de imprensa do grupo Pão de Açucar, enfim, gabaritada pra falar de economia. Beleza. Deu a ficha profissional completa – bacana, por sinal – e começou a entrevista muito bem. Em dado momento ele pergunta sobre a internet, se não prejudicou os jornais escritos e como ela fazia pra acompanhar as notícias em primeira mão, ao que respondeu: “Antes da internet se tornar o que é hoje, um veículo mais rápido até que somente a impressão do jornal escrito, fui encarregada de fazer um jornal fax, em que as notícias fossem transmitidas com muita rapidez. A condição é que tal jornal estivesse tão atualizado e já PREVESSE o que viria com a internet.”
Ai, meu Deus, como assim? Uma jornalista tão gabaritada não conjugar um verbo corretamente, numa entrevista tão importante? É, porque se ela estivesse num boteco conversando com uma amiga, depois de ter tomado todas, poderia até ser perdoada sem julgamento, mas num programa que, inclusive, foi editado, é imperdoável.
Numa das partes de homenagens passou a tal jornalista ninja entrevistando o sr. Samue Klein, dono das Casas Bahia, que falou várias coisas na conjugação incorreta, mas ele pode. Pode não porque é dono de um império, mas porque é um cidadão comum e nem é brasileiro, e não um repórter.
Fico mesmo incomodada com erros tão gritantes, mesmo numa conversa entre amigos. Tenho uma grande amiga que teima em falar coisas que me fazem perder o rumo da prosa: MEIA tonta, MEIA cansada, além de acreditar que auto estima tem que ser baixa ou alta, – BAIXA estima, ALTO estima. Como fico encabulada de corrigí-la, me mordo pra não falar. Até repito mais ou menos o que ela falou de forma correta, mas penso que ela não observa, porque continua falando da mesma forma, e olhe que é uma moça letrada, não é qualquer uma que nem completou o primeiro grau...
Meu marido escreve divinamente. Fico abobada com seu rico vocabulário e na forma como se expressa. Dia desses me pediu pra revisar um texto que seria postado no blog dele. Bacana como sempre, mas uma palavra deu pano pra manga: “enxorrada”. Disse a ele: “Mas Walmir, como assim? Enxorrada?”. Respondeu: “Isto mesmo. Escrevo do jeito que quiser. Guimarães Rosa podia e eu não posso?”.
Pode, meu amor, pode tudo, ainda mais que nem Guimarães Rosa era tão encantador quanto você! Agora escreve logo ENXURRADA e vamos acabar com essa pendenga...
Não escreveu. Publicou enxorrada e continua tão encantador quanto antes. Mas ele só pode porque é de propósito e sabe a maneira certa, faz parte do show escrever do jeito que quiser.
Sei não, mas penso que falta zelo nas pessoas. Na verdade falta é respeito pela nossa língua tão bonita - e pelo ouvido alheio.
Quem sabe os cursos de português entram na moda de novo? Precisava, viu?
Ontem dei de assistir a um programa de entrevista da Record News, cujo apresentador é Celso Freitas. Ele entrevistava Fátima Turci, editora de Economia não sei de que jornal. A moça se gabava de ter 35 anos de carreira como reporter - do Estadão durante muitos anos, de outro jornal não sei mais quantos, da assessoria de imprensa do grupo Pão de Açucar, enfim, gabaritada pra falar de economia. Beleza. Deu a ficha profissional completa – bacana, por sinal – e começou a entrevista muito bem. Em dado momento ele pergunta sobre a internet, se não prejudicou os jornais escritos e como ela fazia pra acompanhar as notícias em primeira mão, ao que respondeu: “Antes da internet se tornar o que é hoje, um veículo mais rápido até que somente a impressão do jornal escrito, fui encarregada de fazer um jornal fax, em que as notícias fossem transmitidas com muita rapidez. A condição é que tal jornal estivesse tão atualizado e já PREVESSE o que viria com a internet.”
Ai, meu Deus, como assim? Uma jornalista tão gabaritada não conjugar um verbo corretamente, numa entrevista tão importante? É, porque se ela estivesse num boteco conversando com uma amiga, depois de ter tomado todas, poderia até ser perdoada sem julgamento, mas num programa que, inclusive, foi editado, é imperdoável.
Numa das partes de homenagens passou a tal jornalista ninja entrevistando o sr. Samue Klein, dono das Casas Bahia, que falou várias coisas na conjugação incorreta, mas ele pode. Pode não porque é dono de um império, mas porque é um cidadão comum e nem é brasileiro, e não um repórter.
Fico mesmo incomodada com erros tão gritantes, mesmo numa conversa entre amigos. Tenho uma grande amiga que teima em falar coisas que me fazem perder o rumo da prosa: MEIA tonta, MEIA cansada, além de acreditar que auto estima tem que ser baixa ou alta, – BAIXA estima, ALTO estima. Como fico encabulada de corrigí-la, me mordo pra não falar. Até repito mais ou menos o que ela falou de forma correta, mas penso que ela não observa, porque continua falando da mesma forma, e olhe que é uma moça letrada, não é qualquer uma que nem completou o primeiro grau...
Meu marido escreve divinamente. Fico abobada com seu rico vocabulário e na forma como se expressa. Dia desses me pediu pra revisar um texto que seria postado no blog dele. Bacana como sempre, mas uma palavra deu pano pra manga: “enxorrada”. Disse a ele: “Mas Walmir, como assim? Enxorrada?”. Respondeu: “Isto mesmo. Escrevo do jeito que quiser. Guimarães Rosa podia e eu não posso?”.
Pode, meu amor, pode tudo, ainda mais que nem Guimarães Rosa era tão encantador quanto você! Agora escreve logo ENXURRADA e vamos acabar com essa pendenga...
Não escreveu. Publicou enxorrada e continua tão encantador quanto antes. Mas ele só pode porque é de propósito e sabe a maneira certa, faz parte do show escrever do jeito que quiser.
Sei não, mas penso que falta zelo nas pessoas. Na verdade falta é respeito pela nossa língua tão bonita - e pelo ouvido alheio.
Quem sabe os cursos de português entram na moda de novo? Precisava, viu?
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
PROGRAMA DE ÍNDIO
Dias desses meu marido escreveu no blog dele como gente sem vícios é chata. E é mesmo, mas pior do que não ter vícios é querer controlar os dos outros. Quero contar meu último programa de índio e vejam se não tenho razão...
Fomos convidados prum casamento fora de BH – fora mesmo, distante uns 600km pra mais. Nos juntamos a um casal de amigos e lá vamos nós, rumo à tal cerimônia, já que a noiva era filha de um chegado nosso por quem temos grande estima.
Preparamos as vestimentas com cuidado, e o amigo que foi conosco não se esqueceu nem da bota ninja que tem, daquelas “mandadas fazer por encomenda”, que tem um tipo de recheio dentro pra ele não ficar mais baixo que a esposa quando ela coloca salto alto. Tudo preparado, voamos na maior espectativa prum fim de semana promissor.
A alegria começou a degringolar na chegada da festa. Como o tempo está seco demais e há muito tempo nosso amigo não calçava a bota, ao descer do táxi a mardita descolou o solado inteiro, que nem boca de sapo. Eu, Walmir e a amiga descemos e ele voltou ao hotel pra trocar de sapato, contrariado por estar perdendo parte da festividade. Entrou no hotel em passos miúdos, pra que a recepcionista não visse a bota desbeiçada. O pior é que agindo assim ela deve ter pensando que ele tinha se borrado nas calças, num caminhar tão contido.
Voltou pra festa animado, de sapato trocado e a passos largos. Agora podia relaxar e a alegria de estar pisando firme se esvaiu com a notícia que demos logo que chegou – não seria servida nenhuma bebida alcoólica. A família do noivo é evangélica e só permitiria refris.
Gente do céu! Como assim? Teve uma hora em que voltei à minha infância, em que nas festas servia-se Ki-suco e ponche sem álcool. Como é que alguém em sã consciência tem a cara de pau de convidar e insistir na presença de pessoas como nós, chegados numa cachaça, pruma festa longe desse jeito, prá tomar refrigerante? Não dá pra acreditar, pois dá?
Agora o pior – se é que existe coisa pior que festa sem bebida: a cerimônia de fato. O pastor entrou e meu coração gelou. Meu marido não tem a menor paciência com pregação e tive medo de que saísse antes do final, mas que nada, ficou prestando a maior atenção em respeito ao chegado que nos convidou. Antes tivesse saído, gente, porque o que foi dito de tão cabeludo ficou engraçado.
Acreditem - pelo amor de Deus, não tô inventando - nas palavras do pastor (vou tentar lembrar com a maior precisão possível): “Fulano, você está recebendo algo divino – a noiva. O amor é coisa humana, então mesmo que o amor acabe o que é divino tem que ser mantido. Você tem o cajado nas mãos para guiar sua ovelha – de novo, a noiva. Quando um casal se une os dois deixam de ter os próprios desejos, e seus desejos passam a ser os do outro...”. E por aí foi.
No meu entendimento, falando rasgado, ele disse o seguinte: Rapaz, cê tá ferrado e a noiva também. Se você não manejar bem seu cajado sua ovelhinha divina sai do rumo, e nem que queira vai conseguir se livrar dela. Entendi errado? Além disso me senti uma cabrita muito rebelde, porque meu marido certamente não soube me dar uns bons corretivos com seu cajado.
Ô gente, quem merece viajar pra tão longe, comer mal e não beber, passar pelo vexame que meu amigo passou com a bota desbeiçada, pra ter que ir comemorar a viagem num restaurante depois da festa? Quem merece ouvir um sermão daquele?
Sugiro que os convites de casamento contenham mais detalhes daqui pra frente, porque quem quiser prestigiar pelo menos vai prevenido – leva nem que seja uma garrafa de vinho chapinha, pra rir do sermão e dançar descalço, sem sofrimento.
No fim das contas foi bom – meu lado Pollyana sempre acha o lado bom: antes e depois da fatídica festa reencontramos grandes amigos, assistimos ao jogo do Brasil detonando a Argentina , conversamos fiado, trocamos receitas de injeções, marcamos a inauguração de um fogão de lenha, tomamos todas no mercado, enfim, sobrevivemos. E bem.
Fomos convidados prum casamento fora de BH – fora mesmo, distante uns 600km pra mais. Nos juntamos a um casal de amigos e lá vamos nós, rumo à tal cerimônia, já que a noiva era filha de um chegado nosso por quem temos grande estima.
Preparamos as vestimentas com cuidado, e o amigo que foi conosco não se esqueceu nem da bota ninja que tem, daquelas “mandadas fazer por encomenda”, que tem um tipo de recheio dentro pra ele não ficar mais baixo que a esposa quando ela coloca salto alto. Tudo preparado, voamos na maior espectativa prum fim de semana promissor.
A alegria começou a degringolar na chegada da festa. Como o tempo está seco demais e há muito tempo nosso amigo não calçava a bota, ao descer do táxi a mardita descolou o solado inteiro, que nem boca de sapo. Eu, Walmir e a amiga descemos e ele voltou ao hotel pra trocar de sapato, contrariado por estar perdendo parte da festividade. Entrou no hotel em passos miúdos, pra que a recepcionista não visse a bota desbeiçada. O pior é que agindo assim ela deve ter pensando que ele tinha se borrado nas calças, num caminhar tão contido.
Voltou pra festa animado, de sapato trocado e a passos largos. Agora podia relaxar e a alegria de estar pisando firme se esvaiu com a notícia que demos logo que chegou – não seria servida nenhuma bebida alcoólica. A família do noivo é evangélica e só permitiria refris.
Gente do céu! Como assim? Teve uma hora em que voltei à minha infância, em que nas festas servia-se Ki-suco e ponche sem álcool. Como é que alguém em sã consciência tem a cara de pau de convidar e insistir na presença de pessoas como nós, chegados numa cachaça, pruma festa longe desse jeito, prá tomar refrigerante? Não dá pra acreditar, pois dá?
Agora o pior – se é que existe coisa pior que festa sem bebida: a cerimônia de fato. O pastor entrou e meu coração gelou. Meu marido não tem a menor paciência com pregação e tive medo de que saísse antes do final, mas que nada, ficou prestando a maior atenção em respeito ao chegado que nos convidou. Antes tivesse saído, gente, porque o que foi dito de tão cabeludo ficou engraçado.
Acreditem - pelo amor de Deus, não tô inventando - nas palavras do pastor (vou tentar lembrar com a maior precisão possível): “Fulano, você está recebendo algo divino – a noiva. O amor é coisa humana, então mesmo que o amor acabe o que é divino tem que ser mantido. Você tem o cajado nas mãos para guiar sua ovelha – de novo, a noiva. Quando um casal se une os dois deixam de ter os próprios desejos, e seus desejos passam a ser os do outro...”. E por aí foi.
No meu entendimento, falando rasgado, ele disse o seguinte: Rapaz, cê tá ferrado e a noiva também. Se você não manejar bem seu cajado sua ovelhinha divina sai do rumo, e nem que queira vai conseguir se livrar dela. Entendi errado? Além disso me senti uma cabrita muito rebelde, porque meu marido certamente não soube me dar uns bons corretivos com seu cajado.
Ô gente, quem merece viajar pra tão longe, comer mal e não beber, passar pelo vexame que meu amigo passou com a bota desbeiçada, pra ter que ir comemorar a viagem num restaurante depois da festa? Quem merece ouvir um sermão daquele?
Sugiro que os convites de casamento contenham mais detalhes daqui pra frente, porque quem quiser prestigiar pelo menos vai prevenido – leva nem que seja uma garrafa de vinho chapinha, pra rir do sermão e dançar descalço, sem sofrimento.
No fim das contas foi bom – meu lado Pollyana sempre acha o lado bom: antes e depois da fatídica festa reencontramos grandes amigos, assistimos ao jogo do Brasil detonando a Argentina , conversamos fiado, trocamos receitas de injeções, marcamos a inauguração de um fogão de lenha, tomamos todas no mercado, enfim, sobrevivemos. E bem.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
PORTA-TRAVESSA TÉRMICO
TOALHA COBRE-SALADA
domingo, 7 de junho de 2009
NINHOS
Uma emoção enorme que quero partilhar com todo mundo: tem um ninho de picapau cheinho de filhotes numa árvore de meu jardim. Quase não acreditei quando vi. Saía pra caminhar bem cedo e ouvia aqueles pios, mas pensei que eram do ninho de maritacas que tem há tempos numa outra árvore, em frente à varanda do quarto. Acordamos todo dia com aquele alvoroço e meu coração se enche de alegria. Muitas vezes rio sozinha, lembrando de Fernanda Yang que detesta canto de pássaros. Já ouvi ela falando numa entrevista que gosta é de barulho de carro, que essa coisa de curtir natureza é monotonia demais. Sei não, mas penso que ela nunca acordou assim, em estado de graça...
Ainda bem que tem quem curte, como os fotógrafos de aves que estiveram aqui ontem. Ficaram a manhã inteira de butuca e colheram cenas lindas - o pai vigiando a porta do ninho, a mãe buscava comida e entregava pro pai, que se virava e dava pros filhotes. Voltava à posição de guarda e esperava a passarinha voltar com mais alimento. Lindo demais! O fotógrafo Daniel mandou estas fotos. É ou não é de encantar???
Ainda bem que tem quem curte, como os fotógrafos de aves que estiveram aqui ontem. Ficaram a manhã inteira de butuca e colheram cenas lindas - o pai vigiando a porta do ninho, a mãe buscava comida e entregava pro pai, que se virava e dava pros filhotes. Voltava à posição de guarda e esperava a passarinha voltar com mais alimento. Lindo demais! O fotógrafo Daniel mandou estas fotos. É ou não é de encantar???
Claro que como gosto muito de pensar, lá vou eu viajar nas idéias dos outros ninhos que temos na vida, a começar pelo meu. Minha casa é um ninho muito acolhedor e seguro pra nós e nossos filhos. Não é à toa que, por enquanto, nem cogitam a possibilidade de casamento, pra não sair de baixo de nossas asas. Dia desses um deles me perguntou se rolava de construir mais um andar acima, se decidisse se casar. Minha ficha demorou a cair de que ele 'tava com intenção de continuar morando aqui.
Como assim? Vê lá se vou deixar fazer "puxado" em minha casa? Vou é nada.
Aí ele respondeu: "Tá bom, então não caso"...rs
Boa desculpa pra quem não quer casar, né não?
E os ninhos que encontramos pela vida? O colo de meu marido, os abraços e cheiros de meus filhos, a casa de mamãe, a fazenda de Cachorrão e Tê, a comunidade de Noiva do Cordeiro, meu atelier cheio das amigas que aparecem pra tomar café no meio da tarde, as prosas com com amigos de caminhada, a casinha mágica de Amélia em Casabranca - bem no meio da mata, as cachoeiras de Minas, nossos acampamentos... Todos os ninhos são aconchegantes se estivermos confortáveis neles.
Acontece que tem gente que tá sempre cobiçando o ninho do outro, e são essas pessoas que nunca se aquietam, vão morrer buscando o que não tem. Ô dó delas...
Como assim? Vê lá se vou deixar fazer "puxado" em minha casa? Vou é nada.
Aí ele respondeu: "Tá bom, então não caso"...rs
Boa desculpa pra quem não quer casar, né não?
E os ninhos que encontramos pela vida? O colo de meu marido, os abraços e cheiros de meus filhos, a casa de mamãe, a fazenda de Cachorrão e Tê, a comunidade de Noiva do Cordeiro, meu atelier cheio das amigas que aparecem pra tomar café no meio da tarde, as prosas com com amigos de caminhada, a casinha mágica de Amélia em Casabranca - bem no meio da mata, as cachoeiras de Minas, nossos acampamentos... Todos os ninhos são aconchegantes se estivermos confortáveis neles.
Acontece que tem gente que tá sempre cobiçando o ninho do outro, e são essas pessoas que nunca se aquietam, vão morrer buscando o que não tem. Ô dó delas...
domingo, 17 de maio de 2009
GRATIDÃO
Não sei exatamente o que me leva a falar disto, mesmo porque não existe nenhuma palavra mais bonita e difícil de descrever que esta, pelo menos pra mim. Penso que a vontade de escrever chegou ontem, num instante, quando vi tanta alegria na cara de meus filhos e amigos, que participaram de uma recepção em nossa casa. Foi lindo, emocionante até, sentir o quanto estavam todos bem neste mundo tão bacana que é o nosso.
Dormi pensando nisto e, quando acordei e vi o sono de paz de meu marido a meu lado, tive certeza de que a felicidade existe. Tenho esta certeza sempre - ao acordar Tuti pra ir à escola; ouvir um "bom dia" de Memê - que chega pra trabalhar antes do dia clarear; tomar café sempre bem acompanhada de Pedro; chegar ao atelier e recomeçar a fazer o que gosto; ver minha princesa descendo as escadas pra mais um dia de criações maravilhosas em sua oficina de jóias; cuidar dos eternos machucados de Hugo, esfolado pelas manobras de skate; almoçar com todos eles todos os dias; rir ao telefone com mamãe e Tê, que são muito engraçadas; receber mensagens amorosas dos amigos...
A tudo o que acontece em minha vida sou grata. Em tempos muito difíceis agradeci, porque as coisas só podiam melhorar – e melhoraram. É isto - tento o tempo todo transformar a adversidade em oportunidade. Já me acostumei tanto a ser assim que nem preciso me esforçar, acontece.
Pena que numa vida tão corrida a maioria das pessoas ache mais prático reclamar que ter olhos atentos pra ver o que a vida tem de bom. A passagem por aqui pode ser leve, alegre, generosa. O problema é que pra muitos é difícil, senão impossível, ter a visão de um mundo cheio de graça.
Que tal começar agora a brincar de gratidão? Eu começo: agradeço a você por estar presente em minha vida, ainda que de longe, vendo meu blog e torcendo por mim.
Pra continuar a brincadeira me mande uma mensagem agradecendo a primeira coisa que passou pela sua cabeça. V'ambora ver onde isto vai parar...
Dormi pensando nisto e, quando acordei e vi o sono de paz de meu marido a meu lado, tive certeza de que a felicidade existe. Tenho esta certeza sempre - ao acordar Tuti pra ir à escola; ouvir um "bom dia" de Memê - que chega pra trabalhar antes do dia clarear; tomar café sempre bem acompanhada de Pedro; chegar ao atelier e recomeçar a fazer o que gosto; ver minha princesa descendo as escadas pra mais um dia de criações maravilhosas em sua oficina de jóias; cuidar dos eternos machucados de Hugo, esfolado pelas manobras de skate; almoçar com todos eles todos os dias; rir ao telefone com mamãe e Tê, que são muito engraçadas; receber mensagens amorosas dos amigos...
A tudo o que acontece em minha vida sou grata. Em tempos muito difíceis agradeci, porque as coisas só podiam melhorar – e melhoraram. É isto - tento o tempo todo transformar a adversidade em oportunidade. Já me acostumei tanto a ser assim que nem preciso me esforçar, acontece.
Pena que numa vida tão corrida a maioria das pessoas ache mais prático reclamar que ter olhos atentos pra ver o que a vida tem de bom. A passagem por aqui pode ser leve, alegre, generosa. O problema é que pra muitos é difícil, senão impossível, ter a visão de um mundo cheio de graça.
Que tal começar agora a brincar de gratidão? Eu começo: agradeço a você por estar presente em minha vida, ainda que de longe, vendo meu blog e torcendo por mim.
Pra continuar a brincadeira me mande uma mensagem agradecendo a primeira coisa que passou pela sua cabeça. V'ambora ver onde isto vai parar...
quarta-feira, 8 de abril de 2009
NOIVA DO CORDEIRO
Amigos, Walmir escreveu um protesto no blog dele - www.walmir.carvalho.zip.net que transcrevo aqui pra vocês. Mais uma vez queremos levar ao conhecimento de todos quanto possível a linda história da comunidade.


VALE COMETE GROSSA INJUSTIÇA
Em ação incompreensível a Vale retirou o canal de satélite que permitia à comunidade Noiva do Cordeiro ter acesso à internet.
Noiva do Cordeiro é o melhor exemplo de comunidade que eu conheço.
Há uma comunidade socialista no interior de Minas Gerais.
Chama-se Noiva do Cordeiro.
No fim do século XIX, a jovem Maria Senhorinha de Lima, nascida no povoado de Roças Novas, distrito de Belo Vale, casou com um descendente de franceses, Arthur Pierre. Infeliz no casamento, deixou o marido e foi morar com o moço Chico Fernandes no local onde acabou sendo criada a comunidade.
Aquela atitude deixou a população escandalizada e os poderes públicos e religiosos irados. Que direito tinha aquela mulher de abandonar o marido e juntar-se ao homem que amava e amou por toda a vida?
E veio a revanche, a vingança.
Padre Jacinto – santo homem como era conhecido – excomungou-a e à sua descendência até a quarta geração.
Com a excomunhão veio a difamação.
Mesmo quando visitava os parentes, Chico Fernandes não podia dormir dentro da casa deles, era obrigado a dormir no paiol. Era um adúltero também.
Ainda assim, o casal seguiu sua vida, gerou filhos e filhos, fizeram larga descendência, e a comunidade cresceu.
Cresceu, mas o preconceito e o isolamento também cresceram junto. As mulheres, quando iam à cidade de Belo Vale, sede do distrito, eram chamadas de prostitutas. As crianças podiam freqüentar a escola, mas eram apartadas do convívio com outras crianças, ninguém falava com elas, de modo que muitas deixaram de se formar.
Por volta dos anos 1940, o pastor Anísio Pereira se apaixonou por uma das netas de Maria Senhorinha, a jovem Delina, casou-se com ela fundou a Igreja Evangélica Noiva de Cordeiro, que deu o nome do lugar.
Os preceitos dessa Igreja eram duros, restritivos, as mulheres não podiam usar maquiagem, não podiam cortar os cabelos, controlar a natalidade, música era proibida, tinham que usar vestidos compridos.
E havia o jejum. Obrigatório. Dois dias inteiros por semana. E uma hora de oração matinal todos os dias. Aquilo prejudicava o trabalho.
Apartados da fé católica, o preconceito crescia contra eles na cidade de Belo Vale e nos povoados vizinhos. Difícil para os homens conseguirem trabalho, ainda mais que eram limitados pelos dois dias semanais de jejum. Foi uma época longa de duras privações.
As mulheres da comunidade começaram a perceber que a Igreja não trazia tantos benefícios e que, pelo contrário, dificultava a vida e o sustento e, aos poucos, se afastavam dela.
Então uma das filhas de Delina e do pastor Anísio casou-se.
Para a festa do casamento exigiu música. Bateu o pé, queria porque queria.
Foi contratado um sanfoneiro.
Crianças que nunca tinham ouvido música na vida gostaram. Dançaram. Todos entraram naquele forrozinho.
A partir daí, a igreja definhou, até que foi derrubada; no seu lugar ergueram o bar da comunidade onde se reuniam para cantar, dançar, para se divertir.
Simbólico - no lugar da igreja opressora um espaço de convivência e alegrias.
Excomungadas pela igreja católica derrubaram a igreja evangélica e passaram a viver uma vida sem religião – mas com muita fé em Deus -, sem dogmas e sem formalidades.
Namoram, casam.
Se uma jovem quer casar-se com véu e grinalda eles organizam tudo. Um veste-se de padre, outros fazem papel de padrinhos, encenam o casamento.
Se não, há uma cerimônia em que falam os pais, os amigos, os noivos e estão casados.
Se não querem mais continuar casados, separam-se.
“Aqui nunca houve traição”, me conta o Iran.
Pelo domingo, à tarde, fizeram brincadeira de “como é a música”. O Celso cantava a música e em certo momento parava. Era auxiliado por outro rapaz que ia passando as páginas onde estavam escritas as letras das músicas. Aí um grupo tinha de continuar, dizendo pelo menos uma seqüência exata de sete palavras que completavam a letra da música. Um grupo competia com outro. Pois o Celso, o que cantava – e têm bom equipamento de som – vai se casar com a Taninha. E o rapaz que o auxiliava fora casado com Taninha. Tivera com ela um garoto espoleta, o Marco Antônio, agora com oito anos. E todos se dando muito bem.
Onde uma coisa assim pode acontecer com naturalidade? Não sei de nenhum outro, a não ser lá.
Delina me disse: “Professor, aqui nunca tem discussão, não é briga não, discussão”. E penso que não tem mesmo. Nos dias que passei lá não ouvi um palavrão, uma palavra ríspida.
Pode parecer que exagero, eu mesmo, muitas vezes duvido do que vi. “Será que encenaram para mim?”.
“Não é possível”, penso depois. Cheguei lá de supetão, sem convite e, num instante estava à mesa com eles almoçando, um quarto preparado pra eu descansar, as conversas. Uma naturalidade estarrecedora.
Há inúmeros bebês, acredito que uns oito. Eu não conseguia saber quem era filho de quem. Todos cuidavam de todos. Só perguntando pra saber. E tanto quanto as mulheres os homens cuidam deles. Vão passando de mão em mão. Não choram. Minha mulher falou: “Acho que esses meninos são mudos. Eles não choram, não?”
Voltando:
Esta vida desligada dos dogmas das igrejas – e ainda assim profundamente religiosa - dificultou a integração com os outros povoados, com a sede do município. As mulheres eram consideradas prostitutas, mulheres perdidas, submetidas a constantes humilhações. Os homens casados com elas eram criticados, voltavam para casa humilhados, às vezes furiosos.
Liderados por Delina, aquela jovem que se casara com o pastor Anísio, homens e mulheres da comunidade Noiva do Cordeiro suportaram os piores anos de exílio com paciência e trabalho, com solidariedade e, pouco a pouco, organizaram-se.
Tudo o que produzem é de todos. As terras, as casas, o produto do trabalho.
As mulheres dizem com orgulho que “somos nós”.
E dividem tudo entre si.
Eu e minha mulher levamos uns presentes da segunda vez que fomos lá. Sorteamos. Uma delas recebeu um “kit descanso”, travesseirinho que se põe sob a nuca e saquinho de cereais aromatizados que se põe sobre os olhos ao deitar. No dia seguinte ela levantou-se alegre e passou o kit a outra. “Hoje é sua vez de descansar com ele, Nelma.”
As roupas das crianças são lavadas, passadas, empilhadas. De um lado estão as roupas dos menores em sucessão de tamanhos até a roupa dos maiorzinhos. Nenhum deles tem a “sua” roupa. Até isto é dividido. Esta divisão prática e fraterna é, eu penso, um dos inícios da educação comunitária que está presente em tudo, a todo instante.
Uma parte dos homens mora na comunidade, outra parte trabalha em Belo Horizonte em algumas metalúrgicas e no Ceasa.
Vindos de uma cultura comunitária, criaram também sua comunidade em Belo Horizonte. Trata-se de uma casa no bairro Pindorama onde moram juntos.
Viajam segunda-feira para Belo Horizonte e voltam na sexta-feira para Noiva do Cordeiro.
Com os ganhos do trabalho em Belo Horizonte complementam a renda da comunidade.
Em Noiva do Cordeiro cada um faz a atividade que gosta, e faz bem. Escolhem entre fábrica de roupas, cozinha, limpeza, criação, horta, etc.
Só nas épocas de mutirão na roça todos se juntam.
Aí é uma festa de mulheres em maioria no plantio, capinas e colheita. Orgulham-se muito de suas roças.
O paiol vive repleto.
Contaram, mostraram: têm arroz ainda da safra de 2005. O excedente de milho e feijão é vendido.
Elas detestam sair de lá.
“Uma vez fui a Belo Horizonte. Entrei numa loja pra comprar e deixei minha carteira no balcão. Roubaram ela. Hoje, quando vou lá, ando agarrada com a minha bolsa na Avenida Afonso Pena com medo de ser roubada outra vez”.
Os novos casais constroem suas casas em volta da grande casa da comunidade.
Nesta casa todos se juntam para as refeições, para as diversões de teatro, advinhas, baralho, etc - para tomar decisões presididas por Delina, por sua filha Rosa – hoje vereadora eleita com os votos da comunidade – e pelo Iran, presidente da Associação Comunitária.
Em Noiva do Cordeiro há cinco grupos de teatro que eles, curiosamente, dividem em Romance, Drama e Comédia e fazem festival anual. Inventaram seu próprio teatro que começou para instruir atitudes e hoje se expandiu para reforço da história da comunidade, para a invenção cênica. Um teatro ingênuo, comovente e divertido que emociona a comunidade inteira dentro do grande salão da Casa da Comunidade.
As mulheres que conseguiram suplantar as humilhações e têm formação de segundo grau criaram uma escola. Nela, duas vezes por semana dão aulas para as que precisam. Mas as crianças, hoje, já freqüentam aulas da escola pública municipal no distrito de Roças Novas.
O preconceito vai sendo vencido.
É uma sociedade socialista e um matriarcado.
O professor Gil Amâncio que foi lá comigo da terceira vez disse: “Walmir, isso aqui só deu certo porque é comandado pelas mulheres”.
Pode ser. A liderança das mulheres é límpida, salta aos olhos, mas não diminui os homens que se integram a tudo com naturalidade.
Com a Associação Comunitária para correm atrás de recursos e lutam por seus direitos.
Conseguiram a primeira escola de informática do interior de Minas Gerais, através de convênio com o Governo Federal e com a Vale do Rio Doce.
Conseguiram equipamentos para a fábrica de roupas, trator, uma Kombi para transportes emergenciais.
Têm televisão fechada através de antena da Skay. Uma enorme TV de 40 polegadas no salão da Casa da Comunidade, têm carros, boas casas, conforto simples.
Mulheres e homens são bonitos, muito. As mulheres são muito vaidosas, pintam-se, vestem-se com apuro.
Se vocês as virem não irão acreditar que são lavradoras. Saiu uma foto delas na capa da revista da Emater, órgão de apoio do governo de Minas Gerais aos pequenos agricultores. Quem não souber olha e pensa: “contrataram umas modelos para fazer papel de lavradoras”.
A relação entre todos é inacreditável.
Fui surpreendido muitas vezes. Via uma mulher ou homem trabalhando e, de repente outra se aproximava, abraçava, fazia um carinho e voltava à sua tarefa.
E trabalham em bando, vivem em bando.
Riem e se emocionam com uma facilidade perturbadora.
Fizeram um vídeo, eles mesmos – há um adolescente lá, fera em informáticas e toda sorte de bugigangas eletrônicas – contando a história/estória deles. Filmaram, ele editou no computador, colocou legendas pois o som é confuso. Já devem ter visto o vídeo centenas de vezes e todas as vezes riem e choram.
Vivem a vida de uma sociedade socialista criada na prática, sem nunca terem lido nenhum teórico, nem sabido dessas palavras – socialismo e comunismo – que abalaram o mundo. Não se isolaram da vida das outras pessoas, comunidades, cidades.
Não é comunidade fechada.
Não é comunidade unida por religião, nem é comunidade como a dos quilombos.
Tive vontade, ou melhor, pensei em levar lá o João Pedro Stédile, líder dos Sem Terra, para ele ver o que é, de verdade, uma prática comunitária, socialista ou comunista, seja que nome se queira dar.
Eles estão além de qualquer sociedade que eu conheço.
Fundam-se em cultura própria e em amorosidade.
Quando saio de lá eu penso: “o ser humano tem salvação”.
Voltando:
São praticamente auto-suficientes.
Se a Bovespa quebrar, se a crise econômica atual atingir picos intoleráveis para eles pouco vai mudar.
Bastam-se com seu trabalho. Continuarão tendo casa, comida na mesa e boa convivência.
As crianças são bem cuidadas, os adultos trabalham, os idosos não precisam de asilos. Vivem lá assistidos de uma forma comovente. Vivem em suas próprias casas e as mulheres se revezam: cada dia uma vai lá ficar com eles.
O vivente humano tem salvação.
Agora uma injustiça: a Companhia Vale do Rio Doce – a Vale - terminado o contrato em que, de parceria com o governo federal mantinha um canal de satélite aberto para Noiva do Cordeiro, simplesmente o desligou.
E Noiva do Cordeiro está sem internet.
Faço daqui um apelo a todos quantos possam interferir a favor deles.
Ao presidente Lula, ao governador Aécio, ao Ministro das Comunicações, ao meu amigo Fuad Nomam, à Vale, à Rede Globo que, através da GNT fez um belo documentário sobre a comunidade, ao jornalista Luiz Nassif, ao Rovai, à Miriam Leitão, ao Mino, ao conterrâneo Idelber do Biscoito Fino.
Conto com os meus manos blogueiros de todo o Brasil: Jurandir, Mestre Aderaldo, Liliana, Lelena, Daniel Marques, Prof. Edilson, Srta. Roberta, Manuca do Delícia de Abacaxi de Recife, Vera do Serenade, Vinícius Tavares do Látego de Fortaleza, Antônio Claudino do Preto no Branco, Betina, Dayane, Adélia e tantos outros.
Apelo também aos meus leitores para que divulguem, apelem a autoridades, empresas.
Um Satélite a comunidade da Noiva do Cordeiro não pode conseguir por si.
E olha, rapaz, não são só eles que merecem e têm direito.
Somos nós, brasileiros, que temos o dever de ajudá-los.
Uma comunidade assim é patrimônio de todos.
Aquelas mulheres e homens foram exilados em sua gênese por uma excomunhão da igreja católica.. Não podem, agora, na época da inclusão digital, ser excomungados da internet pela Vale e por descuido dos nossos governos.

VALE COMETE GROSSA INJUSTIÇA
Em ação incompreensível a Vale retirou o canal de satélite que permitia à comunidade Noiva do Cordeiro ter acesso à internet.
Noiva do Cordeiro é o melhor exemplo de comunidade que eu conheço.
Há uma comunidade socialista no interior de Minas Gerais.
Chama-se Noiva do Cordeiro.
No fim do século XIX, a jovem Maria Senhorinha de Lima, nascida no povoado de Roças Novas, distrito de Belo Vale, casou com um descendente de franceses, Arthur Pierre. Infeliz no casamento, deixou o marido e foi morar com o moço Chico Fernandes no local onde acabou sendo criada a comunidade.
Aquela atitude deixou a população escandalizada e os poderes públicos e religiosos irados. Que direito tinha aquela mulher de abandonar o marido e juntar-se ao homem que amava e amou por toda a vida?
E veio a revanche, a vingança.
Padre Jacinto – santo homem como era conhecido – excomungou-a e à sua descendência até a quarta geração.
Com a excomunhão veio a difamação.
Mesmo quando visitava os parentes, Chico Fernandes não podia dormir dentro da casa deles, era obrigado a dormir no paiol. Era um adúltero também.
Ainda assim, o casal seguiu sua vida, gerou filhos e filhos, fizeram larga descendência, e a comunidade cresceu.
Cresceu, mas o preconceito e o isolamento também cresceram junto. As mulheres, quando iam à cidade de Belo Vale, sede do distrito, eram chamadas de prostitutas. As crianças podiam freqüentar a escola, mas eram apartadas do convívio com outras crianças, ninguém falava com elas, de modo que muitas deixaram de se formar.
Por volta dos anos 1940, o pastor Anísio Pereira se apaixonou por uma das netas de Maria Senhorinha, a jovem Delina, casou-se com ela fundou a Igreja Evangélica Noiva de Cordeiro, que deu o nome do lugar.
Os preceitos dessa Igreja eram duros, restritivos, as mulheres não podiam usar maquiagem, não podiam cortar os cabelos, controlar a natalidade, música era proibida, tinham que usar vestidos compridos.
E havia o jejum. Obrigatório. Dois dias inteiros por semana. E uma hora de oração matinal todos os dias. Aquilo prejudicava o trabalho.
Apartados da fé católica, o preconceito crescia contra eles na cidade de Belo Vale e nos povoados vizinhos. Difícil para os homens conseguirem trabalho, ainda mais que eram limitados pelos dois dias semanais de jejum. Foi uma época longa de duras privações.
As mulheres da comunidade começaram a perceber que a Igreja não trazia tantos benefícios e que, pelo contrário, dificultava a vida e o sustento e, aos poucos, se afastavam dela.
Então uma das filhas de Delina e do pastor Anísio casou-se.
Para a festa do casamento exigiu música. Bateu o pé, queria porque queria.
Foi contratado um sanfoneiro.
Crianças que nunca tinham ouvido música na vida gostaram. Dançaram. Todos entraram naquele forrozinho.
A partir daí, a igreja definhou, até que foi derrubada; no seu lugar ergueram o bar da comunidade onde se reuniam para cantar, dançar, para se divertir.
Simbólico - no lugar da igreja opressora um espaço de convivência e alegrias.
Excomungadas pela igreja católica derrubaram a igreja evangélica e passaram a viver uma vida sem religião – mas com muita fé em Deus -, sem dogmas e sem formalidades.
Namoram, casam.
Se uma jovem quer casar-se com véu e grinalda eles organizam tudo. Um veste-se de padre, outros fazem papel de padrinhos, encenam o casamento.
Se não, há uma cerimônia em que falam os pais, os amigos, os noivos e estão casados.
Se não querem mais continuar casados, separam-se.
“Aqui nunca houve traição”, me conta o Iran.
Pelo domingo, à tarde, fizeram brincadeira de “como é a música”. O Celso cantava a música e em certo momento parava. Era auxiliado por outro rapaz que ia passando as páginas onde estavam escritas as letras das músicas. Aí um grupo tinha de continuar, dizendo pelo menos uma seqüência exata de sete palavras que completavam a letra da música. Um grupo competia com outro. Pois o Celso, o que cantava – e têm bom equipamento de som – vai se casar com a Taninha. E o rapaz que o auxiliava fora casado com Taninha. Tivera com ela um garoto espoleta, o Marco Antônio, agora com oito anos. E todos se dando muito bem.
Onde uma coisa assim pode acontecer com naturalidade? Não sei de nenhum outro, a não ser lá.
Delina me disse: “Professor, aqui nunca tem discussão, não é briga não, discussão”. E penso que não tem mesmo. Nos dias que passei lá não ouvi um palavrão, uma palavra ríspida.
Pode parecer que exagero, eu mesmo, muitas vezes duvido do que vi. “Será que encenaram para mim?”.
“Não é possível”, penso depois. Cheguei lá de supetão, sem convite e, num instante estava à mesa com eles almoçando, um quarto preparado pra eu descansar, as conversas. Uma naturalidade estarrecedora.
Há inúmeros bebês, acredito que uns oito. Eu não conseguia saber quem era filho de quem. Todos cuidavam de todos. Só perguntando pra saber. E tanto quanto as mulheres os homens cuidam deles. Vão passando de mão em mão. Não choram. Minha mulher falou: “Acho que esses meninos são mudos. Eles não choram, não?”
Voltando:
Esta vida desligada dos dogmas das igrejas – e ainda assim profundamente religiosa - dificultou a integração com os outros povoados, com a sede do município. As mulheres eram consideradas prostitutas, mulheres perdidas, submetidas a constantes humilhações. Os homens casados com elas eram criticados, voltavam para casa humilhados, às vezes furiosos.
Liderados por Delina, aquela jovem que se casara com o pastor Anísio, homens e mulheres da comunidade Noiva do Cordeiro suportaram os piores anos de exílio com paciência e trabalho, com solidariedade e, pouco a pouco, organizaram-se.
Tudo o que produzem é de todos. As terras, as casas, o produto do trabalho.
As mulheres dizem com orgulho que “somos nós”.
E dividem tudo entre si.
Eu e minha mulher levamos uns presentes da segunda vez que fomos lá. Sorteamos. Uma delas recebeu um “kit descanso”, travesseirinho que se põe sob a nuca e saquinho de cereais aromatizados que se põe sobre os olhos ao deitar. No dia seguinte ela levantou-se alegre e passou o kit a outra. “Hoje é sua vez de descansar com ele, Nelma.”
As roupas das crianças são lavadas, passadas, empilhadas. De um lado estão as roupas dos menores em sucessão de tamanhos até a roupa dos maiorzinhos. Nenhum deles tem a “sua” roupa. Até isto é dividido. Esta divisão prática e fraterna é, eu penso, um dos inícios da educação comunitária que está presente em tudo, a todo instante.
Uma parte dos homens mora na comunidade, outra parte trabalha em Belo Horizonte em algumas metalúrgicas e no Ceasa.
Vindos de uma cultura comunitária, criaram também sua comunidade em Belo Horizonte. Trata-se de uma casa no bairro Pindorama onde moram juntos.
Viajam segunda-feira para Belo Horizonte e voltam na sexta-feira para Noiva do Cordeiro.
Com os ganhos do trabalho em Belo Horizonte complementam a renda da comunidade.
Em Noiva do Cordeiro cada um faz a atividade que gosta, e faz bem. Escolhem entre fábrica de roupas, cozinha, limpeza, criação, horta, etc.
Só nas épocas de mutirão na roça todos se juntam.
Aí é uma festa de mulheres em maioria no plantio, capinas e colheita. Orgulham-se muito de suas roças.
O paiol vive repleto.
Contaram, mostraram: têm arroz ainda da safra de 2005. O excedente de milho e feijão é vendido.
Elas detestam sair de lá.
“Uma vez fui a Belo Horizonte. Entrei numa loja pra comprar e deixei minha carteira no balcão. Roubaram ela. Hoje, quando vou lá, ando agarrada com a minha bolsa na Avenida Afonso Pena com medo de ser roubada outra vez”.
Os novos casais constroem suas casas em volta da grande casa da comunidade.
Nesta casa todos se juntam para as refeições, para as diversões de teatro, advinhas, baralho, etc - para tomar decisões presididas por Delina, por sua filha Rosa – hoje vereadora eleita com os votos da comunidade – e pelo Iran, presidente da Associação Comunitária.
Em Noiva do Cordeiro há cinco grupos de teatro que eles, curiosamente, dividem em Romance, Drama e Comédia e fazem festival anual. Inventaram seu próprio teatro que começou para instruir atitudes e hoje se expandiu para reforço da história da comunidade, para a invenção cênica. Um teatro ingênuo, comovente e divertido que emociona a comunidade inteira dentro do grande salão da Casa da Comunidade.
As mulheres que conseguiram suplantar as humilhações e têm formação de segundo grau criaram uma escola. Nela, duas vezes por semana dão aulas para as que precisam. Mas as crianças, hoje, já freqüentam aulas da escola pública municipal no distrito de Roças Novas.
O preconceito vai sendo vencido.
É uma sociedade socialista e um matriarcado.
O professor Gil Amâncio que foi lá comigo da terceira vez disse: “Walmir, isso aqui só deu certo porque é comandado pelas mulheres”.
Pode ser. A liderança das mulheres é límpida, salta aos olhos, mas não diminui os homens que se integram a tudo com naturalidade.
Com a Associação Comunitária para correm atrás de recursos e lutam por seus direitos.
Conseguiram a primeira escola de informática do interior de Minas Gerais, através de convênio com o Governo Federal e com a Vale do Rio Doce.
Conseguiram equipamentos para a fábrica de roupas, trator, uma Kombi para transportes emergenciais.
Têm televisão fechada através de antena da Skay. Uma enorme TV de 40 polegadas no salão da Casa da Comunidade, têm carros, boas casas, conforto simples.
Mulheres e homens são bonitos, muito. As mulheres são muito vaidosas, pintam-se, vestem-se com apuro.
Se vocês as virem não irão acreditar que são lavradoras. Saiu uma foto delas na capa da revista da Emater, órgão de apoio do governo de Minas Gerais aos pequenos agricultores. Quem não souber olha e pensa: “contrataram umas modelos para fazer papel de lavradoras”.
A relação entre todos é inacreditável.
Fui surpreendido muitas vezes. Via uma mulher ou homem trabalhando e, de repente outra se aproximava, abraçava, fazia um carinho e voltava à sua tarefa.
E trabalham em bando, vivem em bando.
Riem e se emocionam com uma facilidade perturbadora.
Fizeram um vídeo, eles mesmos – há um adolescente lá, fera em informáticas e toda sorte de bugigangas eletrônicas – contando a história/estória deles. Filmaram, ele editou no computador, colocou legendas pois o som é confuso. Já devem ter visto o vídeo centenas de vezes e todas as vezes riem e choram.
Vivem a vida de uma sociedade socialista criada na prática, sem nunca terem lido nenhum teórico, nem sabido dessas palavras – socialismo e comunismo – que abalaram o mundo. Não se isolaram da vida das outras pessoas, comunidades, cidades.
Não é comunidade fechada.
Não é comunidade unida por religião, nem é comunidade como a dos quilombos.
Tive vontade, ou melhor, pensei em levar lá o João Pedro Stédile, líder dos Sem Terra, para ele ver o que é, de verdade, uma prática comunitária, socialista ou comunista, seja que nome se queira dar.
Eles estão além de qualquer sociedade que eu conheço.
Fundam-se em cultura própria e em amorosidade.
Quando saio de lá eu penso: “o ser humano tem salvação”.
Voltando:
São praticamente auto-suficientes.
Se a Bovespa quebrar, se a crise econômica atual atingir picos intoleráveis para eles pouco vai mudar.
Bastam-se com seu trabalho. Continuarão tendo casa, comida na mesa e boa convivência.
As crianças são bem cuidadas, os adultos trabalham, os idosos não precisam de asilos. Vivem lá assistidos de uma forma comovente. Vivem em suas próprias casas e as mulheres se revezam: cada dia uma vai lá ficar com eles.
O vivente humano tem salvação.
Agora uma injustiça: a Companhia Vale do Rio Doce – a Vale - terminado o contrato em que, de parceria com o governo federal mantinha um canal de satélite aberto para Noiva do Cordeiro, simplesmente o desligou.
E Noiva do Cordeiro está sem internet.
Faço daqui um apelo a todos quantos possam interferir a favor deles.
Ao presidente Lula, ao governador Aécio, ao Ministro das Comunicações, ao meu amigo Fuad Nomam, à Vale, à Rede Globo que, através da GNT fez um belo documentário sobre a comunidade, ao jornalista Luiz Nassif, ao Rovai, à Miriam Leitão, ao Mino, ao conterrâneo Idelber do Biscoito Fino.
Conto com os meus manos blogueiros de todo o Brasil: Jurandir, Mestre Aderaldo, Liliana, Lelena, Daniel Marques, Prof. Edilson, Srta. Roberta, Manuca do Delícia de Abacaxi de Recife, Vera do Serenade, Vinícius Tavares do Látego de Fortaleza, Antônio Claudino do Preto no Branco, Betina, Dayane, Adélia e tantos outros.
Apelo também aos meus leitores para que divulguem, apelem a autoridades, empresas.
Um Satélite a comunidade da Noiva do Cordeiro não pode conseguir por si.
E olha, rapaz, não são só eles que merecem e têm direito.
Somos nós, brasileiros, que temos o dever de ajudá-los.
Uma comunidade assim é patrimônio de todos.
Aquelas mulheres e homens foram exilados em sua gênese por uma excomunhão da igreja católica.. Não podem, agora, na época da inclusão digital, ser excomungados da internet pela Vale e por descuido dos nossos governos.
terça-feira, 10 de março de 2009
CORDEIRO DE DEUS
Passei o domingo em estado de graça! Eu e Walmir fomos até a comunidade Noiva do Cordeiro. Já sabia um pouco da história porque ele é de Belo Vale; há pouco tempo assistimos um documentário no GNT sobre o assunto, e tivemos muita vontade de conhecer as pessoas de lá. Fomos com pouca expectativa e muito medo. Não podíamos imaginar como seríamos recebidos - e nem se nos receberiam - mas fomos. Encaramos uma estrada de terra péssima, destruída pelos temporais que assolaram a região, e por pouco não desistimos.
Inexplicável... esta é a única palavra possível pra descrever o que vivemos naquele mundo - sim, porque é mesmo um outro mundo, de solidariedade, respeito e paz.
Fomos acolhidos numa das mesas de almoço, sem que ao menos soubessem de onde tínhamos vindo e o que nos levou até eles. Só depois daquela refeição abençoada e deliciosa foi que deram de conversar.
Meu marido me disse que em 5 minutos não me viu por perto - eu já 'tava que nem pinto no lixo, de tanta alegria, envolvida com cada um que chegava pra se apresentar e desejar boas vindas, com as brincadeiras da meninada, o cheiro bom do café que já vinha da cozinha, enfim, completamente envolta naquela mágica do afeto. Disse que eu parecia ser um deles, e foi o que verdadeiramente senti, é o que quero ser, se me permitirem - um deles.
Embora vivendo noutro lugar, outro tipo de vida, um pedaço de meu coração ficou quando nos despedimos. Não queria vir embora e ao mesmo tempo queria muito, pra contar aos nossos filhos o que vimos lá e voltar com eles. Felizmente viemos com o retorno marcado pra muito breve, e isto aconchega meu coração já saudoso.
Na comunidade vivem cerca de 300 pessoas, a maioria mulheres. Cuidam uns dos outros, aram e roçam a terra, plantam, costuram, fazem teatro, bordam, dançam, cantam, tudo isso juntos. Nunca vi tamanha harmonia em nenhum lugar.
Lutam todo o tempo contra o preconceito por não terem uma religião definida, por viverem isolados - não por escolha, mas porque foram isolados pela sociedade - batalham cada passo. Percebi que, na verdade, não é preconceito o que a sociedade tem contra eles - é inveja. Causa inveja a alegria, a força, a coragem, o grande amor que permeiam aquela grande família. Quem não se sente merecedor de estar junto deles se vale do preconceito para não declarar a inveja.
Eu e Walmir voltamos conversando sobre aquele arcebispo de Recife que julgou, valendo-se da teologia para justificar as intempéries ditas, o aborto autorizado na criança de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto. O tal arcebispo condenou, como se um Deus fosse, uma criança a morrer em vida, amparado nas suas verdades insanas, com a sensibilidade de uma pedra.
Ah, arcebispo, o senhor está perdendo uma grande chance de saber o que é amor! Vá até o lugar descrito e veja se é ao menos comparável no caráter e na dignidade com qualquer uma daquelas pessoas que lá vivem...
Não quero acreditar nesse Deus que condena, pune, maltrata. Prefiro aceitar o Deus que existe em meu coração e encontrei em cada um - que respeita, ama, cuida, preza e, principalmente, não julga.
Delina, Élida, Flávia, Rosa, Elaine, Iara, Taninha, Marco Antônio, Iran, Cláudia, Vilma, Juliana, todos que não sei o nome, cada um daqueles é sim, um Cordeiro de Deus, que nasceu, cresce e vive a verdade e a grandiosidade generosa do amor.
* Quem quiser conhecer mais um pouco da comunidade entre no site: www.noivadocordeiro.com.br
Inexplicável... esta é a única palavra possível pra descrever o que vivemos naquele mundo - sim, porque é mesmo um outro mundo, de solidariedade, respeito e paz.
Fomos acolhidos numa das mesas de almoço, sem que ao menos soubessem de onde tínhamos vindo e o que nos levou até eles. Só depois daquela refeição abençoada e deliciosa foi que deram de conversar.
Meu marido me disse que em 5 minutos não me viu por perto - eu já 'tava que nem pinto no lixo, de tanta alegria, envolvida com cada um que chegava pra se apresentar e desejar boas vindas, com as brincadeiras da meninada, o cheiro bom do café que já vinha da cozinha, enfim, completamente envolta naquela mágica do afeto. Disse que eu parecia ser um deles, e foi o que verdadeiramente senti, é o que quero ser, se me permitirem - um deles.
Embora vivendo noutro lugar, outro tipo de vida, um pedaço de meu coração ficou quando nos despedimos. Não queria vir embora e ao mesmo tempo queria muito, pra contar aos nossos filhos o que vimos lá e voltar com eles. Felizmente viemos com o retorno marcado pra muito breve, e isto aconchega meu coração já saudoso.
Na comunidade vivem cerca de 300 pessoas, a maioria mulheres. Cuidam uns dos outros, aram e roçam a terra, plantam, costuram, fazem teatro, bordam, dançam, cantam, tudo isso juntos. Nunca vi tamanha harmonia em nenhum lugar.
Lutam todo o tempo contra o preconceito por não terem uma religião definida, por viverem isolados - não por escolha, mas porque foram isolados pela sociedade - batalham cada passo. Percebi que, na verdade, não é preconceito o que a sociedade tem contra eles - é inveja. Causa inveja a alegria, a força, a coragem, o grande amor que permeiam aquela grande família. Quem não se sente merecedor de estar junto deles se vale do preconceito para não declarar a inveja.
Eu e Walmir voltamos conversando sobre aquele arcebispo de Recife que julgou, valendo-se da teologia para justificar as intempéries ditas, o aborto autorizado na criança de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto. O tal arcebispo condenou, como se um Deus fosse, uma criança a morrer em vida, amparado nas suas verdades insanas, com a sensibilidade de uma pedra.
Ah, arcebispo, o senhor está perdendo uma grande chance de saber o que é amor! Vá até o lugar descrito e veja se é ao menos comparável no caráter e na dignidade com qualquer uma daquelas pessoas que lá vivem...
Não quero acreditar nesse Deus que condena, pune, maltrata. Prefiro aceitar o Deus que existe em meu coração e encontrei em cada um - que respeita, ama, cuida, preza e, principalmente, não julga.
Delina, Élida, Flávia, Rosa, Elaine, Iara, Taninha, Marco Antônio, Iran, Cláudia, Vilma, Juliana, todos que não sei o nome, cada um daqueles é sim, um Cordeiro de Deus, que nasceu, cresce e vive a verdade e a grandiosidade generosa do amor.
* Quem quiser conhecer mais um pouco da comunidade entre no site: www.noivadocordeiro.com.br
segunda-feira, 9 de março de 2009
Gatos
Os gatinhos foram criados em homenagem ao artesanato japonês, para trazer boa sorte a quem for presenteado. Delicados e cheios de detalhes, são confeccionados em 2 tamanhos - os menores para decorar e os maiores (sentadinhos na almofada) além de decorar servem ainda como peso de papel e escora-portas. Cada gato ou gata tem um nome original e vem com a mensagem.

Mascotes do Aconchego
quinta-feira, 5 de março de 2009
COMO DAR REMÉDIO A UM GATO
Esta é dedicada a Tê, minha irmã linda, encantadora, parceira até mandar parar, que não gostava de gatos e hoje sonha em ter um gatil.
Liliana, amiga do peito, postou as instruções de como dar remédio a um gato em seu blog "Pontuando". Gente, juro por Deus que já vivi com meus gatos uma história tão, mas tão parecida, que penso que a pessoa que escreveu se inspirou em mim.
Divirtam-se!
Bejim
"Como dar remédio a um gato:
1. Pegue o gato e o coloque em seu braço esquerdo, como se estivesse segurando um bebe. Posicione o dedo indicador e o polegar em cada canto da boca do gato. Pressione levemente para que ele abra a boca. Tão logo isto aconteça, coloque o comprimido em sua boca. Permita que o gato feche a boca e engula a pílula.
2. Pegue a pílula no chão e o gato de trás do sofá. Encaixe-o no seu braço esquerdo e repita o processo.
3. Apanhe o gato no quarto e jogue fora o comprimido encharcado.
4. Pegue um novo comprimido, coloque o gato em seu braço esquerdo e segure as suas patas traseiras com a sua mão esquerda. Force-o a abrir a boca e empurre o comprimido para o fundo de sua boca com o indicador. Feche sua boca imediatamente e conte até 10 antes de soltá-lo.
5. Apanhe o comprimido de dentro do aquário e o gato de cima do guarda-roupa. Peça ajuda a alguém.
6. Ajoelhe-se no chão com o gato preso firmemente entre seus joelhos, segurando suas quatro patas. Ignore os grunhidos emitidos pelo gato. Peça à outra pessoa que segure com força a cabeça dele enquanto você abre a boca. Coloque uma espátula de madeira o mais fundo que puder. Deixe o comprimido escorregar pela espátula e esfregue a garganta do gato vigorosamente.
7. Apanhe o gato que está grudado no trilho da cortina e pegue outro comprimido. Lembre-se de comprar uma nova espátula e remendar a cortina. Cuidadosamente enrole o gato numa toalha de modo que apenas sua cabeça fique de fora. Peça para a outra pessoa mantê-lo assim. Dissolva o comprimido em um pouco de água, abra a boca do gato com o auxílio de um lápis e despeje o líquido em sua boca.
8. Veja na bula do remédio e veja se ele é nocivo para humanos. Beba um pouco de água para acalmar-se. Faça um curativo no braço do ajudante e limpe o sangue do tapete com água morna e sabão.
9. Busque o gato no vizinho. Pegue um novo comprimido. Bote o gato dentro do armário da cozinha e feche a porta, mantendo a sua cabeça para o lado de fora. Abra a boca com o auxílio de uma colher de sobremesa. Jogue o comprimido para dentro da boca do bichano com o auxílio de um estilingue.
10. Vá até a garagem e apanhe uma chave de fenda para colocar a porta do armário no lugar. Coloque uma compressa fria nos arranhões do seu rosto e cheque quando tomou pela última vez a vacina anti-tetânica. Jogue a camiseta fora e apanhe outra em seu quarto.
11. Chame o corpo de bombeiros para apanhar o gato do alto da árvore do outro lado da rua. Peça desculpas ao vizinho que se machucou tentando desviar-se do gato. Pegue o último comprimido do frasco.
12. Amarre as patas dianteiras nas traseiras com uma corda de varal e prenda o gato no pé da mesa de jantar. Coloque luvas de jardinagem. Abra a boca do gato com uma pequena chave inglesa. Coloque o comprimido seguido de um pedaço de filé mignon. Segure a cabeça dele na vertical e derrame meio copo de água para ajudá-lo a engolir o comprimido.
13. Peça à outra pessoa para levá-la ao pronto socorro mais próximo. Sente-se tranqüilamente enquanto o médico costura seus dedos e braços e remove partes do comprimido que ficaram encravadas no seu olho direito. Pare na primeira loja de móveis no caminho de casa e encomende uma nova mesa de jantar.
14. Procure um veterinário que faça atendimento a domicílio
Liliana, amiga do peito, postou as instruções de como dar remédio a um gato em seu blog "Pontuando". Gente, juro por Deus que já vivi com meus gatos uma história tão, mas tão parecida, que penso que a pessoa que escreveu se inspirou em mim.
Divirtam-se!
Bejim
"Como dar remédio a um gato:
1. Pegue o gato e o coloque em seu braço esquerdo, como se estivesse segurando um bebe. Posicione o dedo indicador e o polegar em cada canto da boca do gato. Pressione levemente para que ele abra a boca. Tão logo isto aconteça, coloque o comprimido em sua boca. Permita que o gato feche a boca e engula a pílula.
2. Pegue a pílula no chão e o gato de trás do sofá. Encaixe-o no seu braço esquerdo e repita o processo.
3. Apanhe o gato no quarto e jogue fora o comprimido encharcado.
4. Pegue um novo comprimido, coloque o gato em seu braço esquerdo e segure as suas patas traseiras com a sua mão esquerda. Force-o a abrir a boca e empurre o comprimido para o fundo de sua boca com o indicador. Feche sua boca imediatamente e conte até 10 antes de soltá-lo.
5. Apanhe o comprimido de dentro do aquário e o gato de cima do guarda-roupa. Peça ajuda a alguém.
6. Ajoelhe-se no chão com o gato preso firmemente entre seus joelhos, segurando suas quatro patas. Ignore os grunhidos emitidos pelo gato. Peça à outra pessoa que segure com força a cabeça dele enquanto você abre a boca. Coloque uma espátula de madeira o mais fundo que puder. Deixe o comprimido escorregar pela espátula e esfregue a garganta do gato vigorosamente.
7. Apanhe o gato que está grudado no trilho da cortina e pegue outro comprimido. Lembre-se de comprar uma nova espátula e remendar a cortina. Cuidadosamente enrole o gato numa toalha de modo que apenas sua cabeça fique de fora. Peça para a outra pessoa mantê-lo assim. Dissolva o comprimido em um pouco de água, abra a boca do gato com o auxílio de um lápis e despeje o líquido em sua boca.
8. Veja na bula do remédio e veja se ele é nocivo para humanos. Beba um pouco de água para acalmar-se. Faça um curativo no braço do ajudante e limpe o sangue do tapete com água morna e sabão.
9. Busque o gato no vizinho. Pegue um novo comprimido. Bote o gato dentro do armário da cozinha e feche a porta, mantendo a sua cabeça para o lado de fora. Abra a boca com o auxílio de uma colher de sobremesa. Jogue o comprimido para dentro da boca do bichano com o auxílio de um estilingue.
10. Vá até a garagem e apanhe uma chave de fenda para colocar a porta do armário no lugar. Coloque uma compressa fria nos arranhões do seu rosto e cheque quando tomou pela última vez a vacina anti-tetânica. Jogue a camiseta fora e apanhe outra em seu quarto.
11. Chame o corpo de bombeiros para apanhar o gato do alto da árvore do outro lado da rua. Peça desculpas ao vizinho que se machucou tentando desviar-se do gato. Pegue o último comprimido do frasco.
12. Amarre as patas dianteiras nas traseiras com uma corda de varal e prenda o gato no pé da mesa de jantar. Coloque luvas de jardinagem. Abra a boca do gato com uma pequena chave inglesa. Coloque o comprimido seguido de um pedaço de filé mignon. Segure a cabeça dele na vertical e derrame meio copo de água para ajudá-lo a engolir o comprimido.
13. Peça à outra pessoa para levá-la ao pronto socorro mais próximo. Sente-se tranqüilamente enquanto o médico costura seus dedos e braços e remove partes do comprimido que ficaram encravadas no seu olho direito. Pare na primeira loja de móveis no caminho de casa e encomende uma nova mesa de jantar.
14. Procure um veterinário que faça atendimento a domicílio
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
DEIXAR-SE CUIDAR
Meu marido teve uma crise renal e ficamos no Life Center por umas 6 horas, ele no soro tomando uma batelada de remédios e eu observando a movimentação. Citei o hospital porque este é – ou propaga ser – uma referência em atendimento hospitalar: prédio novo, instalações ultra-modernas, atendentes com belos e irretocáveis uniformes (que não maquiam a impaciência e a raiva por estarem trabalhando em pleno domingo à noite, como se dor escolhesse hora pra chegar), três médicos para atender um bando de gente que deu piripaco bem no finzinho do fim de semana. Também eita hora ruim pra adoecer...
Na sala de observação dos doentes total falta de privacidade pr’aquele que está se contorcendo de dor - vinte poltronas e camas bem próximas umas das outras, mal deixando espaço pro braço esticado com o soro. Todos ouvem e alguns até palpitam e comentam sobre a moléstia do vizinho. Uma lástima. O plano de saúde que também tem um marketing de ser o melhor virou SUS...
Descrevi o fato que me levou ao hospital pra tratar dos pensamentos que tive enquanto permaneci por lá. Além de ficar mal impressionada com o péssimo atendimento, o falatório alto entre os enfermeiros, médicos e acompanhantes como se estivessem numa feira livre, me tocou muito a solidão de alguns pacientes. Não consigo entender como uma pessoa sente-se mal e não tem ninguém pra acompanhá-la a uma consulta médica ...
Foi aí que minha ficha caiu, porque já – mais de uma vez - procurei um centro médico de urgência sozinha. Além de marido e filhos tenho ainda amigos de igual forma encantadores, que sem sombra de dúvida teriam a maior presteza em me acompanhar, mas não, eu não quis incomodá-los. Isto pode ser uma desculpa pra minha arrogância e auto-suficiência, mas sinceramente penso que não. Acho que me incomodei tanto com a solidão daquelas pessoas porque era a minha também, quando esperei não precisar pedir, que alguém iria perceber que eu estava precisando de ajuda e estaria ali, pronto pra decidir por mim se eu deveria procurar ajuda médica.
Lembrei-me de inúmeras situações na vida em que esperei. Continuo esperando.
É a tal da expectativa que, em 19 anos de terapia, não consegui abolir. Racionalmente sei que a responsabilidade desta expectativa é minha, que ninguém tem a obrigação de corresponder a ela, mas ‘tá aqui a danada, me passando rasteira todo o tempo.
Vivo rodeada de pessoas que agem que nem eu – cuidam, cuidam, cuidam e não se deixam cuidar como merecem.
Cláudia, amiga do peito e pra sempre, sabe do que estou falando.
Tô lendo um livro muito lindo – “Comer Rezar Amar”. Gente, que inveja da coragem daquela mulher!!!!!!!! Largou T U D O, literalmente – casa, comida e roupa lavada, trabalho, família e amigos, pra viver uma experiência inexplicável. Como dizemos em minha terra, não dá contado...
Mas não quero pra mim não. Fico com inveja, mas é só pra fazer tipo. Vê se vou largar meu homem, minha ninhada, a cama que me aconchega, pra me aventurar nesse mundão de meu Deus? Vou é nada.
Agora, que dá vontade dá, viu?
Na sala de observação dos doentes total falta de privacidade pr’aquele que está se contorcendo de dor - vinte poltronas e camas bem próximas umas das outras, mal deixando espaço pro braço esticado com o soro. Todos ouvem e alguns até palpitam e comentam sobre a moléstia do vizinho. Uma lástima. O plano de saúde que também tem um marketing de ser o melhor virou SUS...
Descrevi o fato que me levou ao hospital pra tratar dos pensamentos que tive enquanto permaneci por lá. Além de ficar mal impressionada com o péssimo atendimento, o falatório alto entre os enfermeiros, médicos e acompanhantes como se estivessem numa feira livre, me tocou muito a solidão de alguns pacientes. Não consigo entender como uma pessoa sente-se mal e não tem ninguém pra acompanhá-la a uma consulta médica ...
Foi aí que minha ficha caiu, porque já – mais de uma vez - procurei um centro médico de urgência sozinha. Além de marido e filhos tenho ainda amigos de igual forma encantadores, que sem sombra de dúvida teriam a maior presteza em me acompanhar, mas não, eu não quis incomodá-los. Isto pode ser uma desculpa pra minha arrogância e auto-suficiência, mas sinceramente penso que não. Acho que me incomodei tanto com a solidão daquelas pessoas porque era a minha também, quando esperei não precisar pedir, que alguém iria perceber que eu estava precisando de ajuda e estaria ali, pronto pra decidir por mim se eu deveria procurar ajuda médica.
Lembrei-me de inúmeras situações na vida em que esperei. Continuo esperando.
É a tal da expectativa que, em 19 anos de terapia, não consegui abolir. Racionalmente sei que a responsabilidade desta expectativa é minha, que ninguém tem a obrigação de corresponder a ela, mas ‘tá aqui a danada, me passando rasteira todo o tempo.
Vivo rodeada de pessoas que agem que nem eu – cuidam, cuidam, cuidam e não se deixam cuidar como merecem.
Cláudia, amiga do peito e pra sempre, sabe do que estou falando.
Tô lendo um livro muito lindo – “Comer Rezar Amar”. Gente, que inveja da coragem daquela mulher!!!!!!!! Largou T U D O, literalmente – casa, comida e roupa lavada, trabalho, família e amigos, pra viver uma experiência inexplicável. Como dizemos em minha terra, não dá contado...
Mas não quero pra mim não. Fico com inveja, mas é só pra fazer tipo. Vê se vou largar meu homem, minha ninhada, a cama que me aconchega, pra me aventurar nesse mundão de meu Deus? Vou é nada.
Agora, que dá vontade dá, viu?
domingo, 28 de dezembro de 2008
Aprendi com minha mae
RITOS DE PASSAGEM
Filha de imigrante libanês casado com brasileira, minha mãe Teresa ficou orfã aos doze anos. Era a quinta filha das sete mulheres que sobreviveram aos tempos de dificuldade em Itambacuri. Sua mãe – vovó Mariquinha - se foi aos 42 anos, vitimada por um câncer, e deixou o marido - vovô Miguel - com a incumbência de criar as meninas, com idades entre sete e dezesseis anos. As três mais velhas foram colocadas num colégio interno enquanto ele pelejava com as quatro menores, contando apenas com a ajuda da velha empregada Patú.
Mamãe cresceu, ficou uma moça linda e vaidosa, noivou e foi abandonada pelo noivo, noivou de novo e se casou com papai, um velho amigo de infância. Já estava com 28 anos e com medo de ficar no “barricão”, então casou.
Teve três filhos, um menino e duas meninas.
Resolveu estudar. Formou-se professora, achou pouco; fez faculdade de pedagogia, achou pouco; aventurou-se aos trancos e barrancos em cursos de especialização em outras cidades, e passava as férias viajando e estudando; foi professora reconhecida, diretora de escola, supervisora, inspetora. Aposentou-se depois de trabalhar ininterruptamente por mais de quarenta anos.
A filha mais velha – eu – nunca correspondeu aos projetos de primogênita libanesa: se vestir como uma princesa - os vestidos de casa-de-abelha nunca a encantaram; brincar de casinha e de bonecas; aprender a tocar piano; estudar e se graduar em cursos socialmente valiosos – medicina, direito, engenharia, odontologia; demorar a casar pra antes aproveitar bem em cultura e viagens – e depois de casada ficar com o mesmo homem por toda a vida; ser famosa e admirada por sua pura competência...
Fiz tudo diferente. Só gostava de usar saias ciganas; brincava de bolinhas de gude, finca e pipa com os moleques na rua; abandonei as aulas de piano; namorei cedo, casei-me ainda menina, tive 4 filhos e fiz a opção de não trabalhar fora pra cuidar deles; nunca dei importância a diploma; não fiquei famosa; não fiquei casada pra vida toda com o pai de meus filhos; casei de novo com um professor de teatro que nunca usou terno – e ela ama homem de terno; escolhi como profissão a arte de criar com as mãos em meu atelier – sem aposentadoria, férias ou licenças remuneradas.
Tudo errado, não é? Não, claro que não. Sou muito feliz com minhas escolhas, e sei que mamãe também fica feliz me vendo assim.
Ela não sabe ainda, mas em cada tempo de minha vida o que me ensinou foi guia pra que eu acertasse ou, ao menos, tentasse acertar; me deu coragem pra enfrentar os riscos sabendo que seu colo aconchegante estaria sempre quentinho pra mim, se alguma coisa desse errada.
Aprendi com ela a desobedecer, a não me sujeitar às adversidades e continuar celebrando a vida.
Lembro-me com riqueza de detalhes dos natais – a árvore foi exatamente igual durante toda a minha infância, um galho seco pintado com tinta-a-óleo preta, cheio de bolinhas de isopor coladas na tinta ainda fresca, que imagino representassem a neve - os presentes iguais em cores diferentes pra mim e Dalila, minha prima, que passava todas as férias conosco, porque na casa dela não se comemorava nada; os aniversários com enfeites da mesa feitos de isopor e os docinhos coloridos de Satut, grande amiga e quituteira de mão-cheia, regados a ponche de groselha com ½ garrafa de guaraná pra enganar a falta de grana; as semanas inteiras com costureira em casa pra fazer as roupas que usaria na festa de agosto, tudo novo; a primeira comunhão; as formaturas da pré-escola ao curso normal e de contabilidade, onde todas as festas de turma eram em nossa casa; a organização do circo em nosso quintal, que da montagem da tenda até a bilheteria contavam com a mão carinhosa dela; as festas juninas com canjica e quentão de sabores inesquecíveis; a partilha dos animais caçados por papai – capivaras, jacarés, pacas, tatus, peixes - que era feita na calçada do armazém pra vizinhança toda; as fantasias de carnaval prontas pra ganhar concurso...
Em nada do que aconteceu em minha vida faltou mamãe. Sempre ela lá, presente, um grande presente que a vida me deu.
Aprendi que os ritos de passagem importam em tudo o que teremos adiante; o brilho da comemoracão se mantém na sequencia dos fatos posteriores a ela, e só podem nos trazer alegria e boas lembranças. Mostro isto todo o tempo aos meus filhos, marido, amigos, quando em nossa casa é sempre uma festa. Os aniversários, natais, dias dos pais e das mães, páscoa, formaturas, tudo com muita alegria.
Alegria também aprendi com minha mãe, embora ela sempre tenha me comparado a papai – do que me orgulho muito. Sou sim, bem parecida com ele, mas a ela devo tanto aprendizado do que realmente importa.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
ENCONTROS
ENCONTROS...
Tenho pensado muito sobre os encontros na vida. São sempre surpreendentes, ainda que marcados com pessoas que já conhecemos e em horários pré-estabelecidos. Tem sempre a imprevisibilidade em cada um deles, porque nunca sabemos como estaremos naquele exato momento e nem como o outro vai estar. Podem ser muito bons – e em sua maioria são, mas também ser um “desastre”... depende do que rola naquele tempo.
Aconteceu comigo uma coisa bem bacana que quero contar. Conheço Ione há mais de 10 anos através de seu trabalho como ceramista, junto da amiga Beth, no Arte da Terra. Durante todo esse tempo nunca busquei presentes bacanas de casamento/ aniversário em outro lugar, porque elas e tudo o que fazem é muito especial. Dias atrás passei no atelier e conversamos sobre algumas coisas, dentre elas nosso trabalho como artesãs; foi quando ela me perguntou o que era mesmo que eu fazia e não acreditou quando contei. Me olhou com aquela cara de “como assim, você faz essas coisas e nunca me disse nesse tempo todo em que nos conhecemos?”
No dia seguinte cá estava com uma amiga em meu atelier, se encantando com meu trabalho tanto quanto me encanto com o delas. Daí a sabermos mais uma da outra foi um pulo – falamos de nossas famílias, e depois de fazer as encomendas de algumas coisas pra casa nova de sua filha já me sinto amiga de Tetê, Gui e Tiago, os 3 anjos que serão presenteados. Quando levei tudo pronto, feito sob medida pro novo lar, vi o brilho de encantamento nos olhos dela. Abriu, mostrou pra todo mundo que estava no atelier, mandou mais um tanto de clientes que ficaram curiosas pra conhecer meu canto de arte, enfim, uma bola de neve – e de amizade – muito legal.
É aí que fico pensando o que faz as pessoas se encontrarem em determinado momento e da diferença dos encontros em cada tempo. Acredito ser sempre melhor quando acontecem naturalmente...
Lembro-me de grandes e especiais amigos - alguns de infância, outros mais recentes, e como a vida nos colocou por perto, dentro da vida uns dos outros. Até queria citar alguns e a forma como aconteceu, mas não posso me arriscar a cometer o pecado de esquecer algum, o que certamente ocorreria.
Amanhã é o casamento de Sales (um daqueles amigos do peito) lá em Brasília. Tava animadaça pra ir, mas o médico não achou conveniente por causa da minha coluna que não anda muito benta. Vou ficar daqui com o coração apertado por não estar presente numa hora tão especial da vida dele, mas com as energias todas viradas pra que esteja sempre em paz.
Boa sorte, meu amigo lindo!
Abençoados os encontros na vida de todos nós!!!
Cândida
Tenho pensado muito sobre os encontros na vida. São sempre surpreendentes, ainda que marcados com pessoas que já conhecemos e em horários pré-estabelecidos. Tem sempre a imprevisibilidade em cada um deles, porque nunca sabemos como estaremos naquele exato momento e nem como o outro vai estar. Podem ser muito bons – e em sua maioria são, mas também ser um “desastre”... depende do que rola naquele tempo.
Aconteceu comigo uma coisa bem bacana que quero contar. Conheço Ione há mais de 10 anos através de seu trabalho como ceramista, junto da amiga Beth, no Arte da Terra. Durante todo esse tempo nunca busquei presentes bacanas de casamento/ aniversário em outro lugar, porque elas e tudo o que fazem é muito especial. Dias atrás passei no atelier e conversamos sobre algumas coisas, dentre elas nosso trabalho como artesãs; foi quando ela me perguntou o que era mesmo que eu fazia e não acreditou quando contei. Me olhou com aquela cara de “como assim, você faz essas coisas e nunca me disse nesse tempo todo em que nos conhecemos?”
No dia seguinte cá estava com uma amiga em meu atelier, se encantando com meu trabalho tanto quanto me encanto com o delas. Daí a sabermos mais uma da outra foi um pulo – falamos de nossas famílias, e depois de fazer as encomendas de algumas coisas pra casa nova de sua filha já me sinto amiga de Tetê, Gui e Tiago, os 3 anjos que serão presenteados. Quando levei tudo pronto, feito sob medida pro novo lar, vi o brilho de encantamento nos olhos dela. Abriu, mostrou pra todo mundo que estava no atelier, mandou mais um tanto de clientes que ficaram curiosas pra conhecer meu canto de arte, enfim, uma bola de neve – e de amizade – muito legal.
É aí que fico pensando o que faz as pessoas se encontrarem em determinado momento e da diferença dos encontros em cada tempo. Acredito ser sempre melhor quando acontecem naturalmente...
Lembro-me de grandes e especiais amigos - alguns de infância, outros mais recentes, e como a vida nos colocou por perto, dentro da vida uns dos outros. Até queria citar alguns e a forma como aconteceu, mas não posso me arriscar a cometer o pecado de esquecer algum, o que certamente ocorreria.
Amanhã é o casamento de Sales (um daqueles amigos do peito) lá em Brasília. Tava animadaça pra ir, mas o médico não achou conveniente por causa da minha coluna que não anda muito benta. Vou ficar daqui com o coração apertado por não estar presente numa hora tão especial da vida dele, mas com as energias todas viradas pra que esteja sempre em paz.
Boa sorte, meu amigo lindo!
Abençoados os encontros na vida de todos nós!!!
Cândida
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
De volta!!!
Tô de volta, gente! Quem acessou o blog no tempo em que andei sumida certamente pensou que eu tinha desistido de aprender as tais “eletrônicas contemporâneas”, mas não. Vou persistir e quem sabe até acabo gostando, né?
Não é à toa que meu apelido na família é Pollyana (todas as minhas amigas já leram Pollyana Menina – Pollyana Moça, aposto). Em tudo o que acontece de ruim sempre vejo o lado bom. Agora, por exemplo, estou com uma inflamação na coluna que me impede de fazer qualquer esforço físico. Além da dor que é constante tem aquele maldito colar que mal me deixa respirar. Resumindo, muitas vantagens:
Vou ficar magrinha porque não consigo comer direito.
To com as cordas vocais praticamente zeradas, há tantos dias sem poder conversar muito.
Fico por dentro de tudo o que acontece no mundo minuto a minuto, já que fico na net todo o tempo. Prá quem detesta computador e tem preguiça até de abrir e-mail tá sendo um bom exercício, é ou não é?
Minha mãe vem me visitar e vamos ficar juntinhas, assistindo até missa e novela (e quem me conhece sabe que tenho irc de tv). Penso que ela vai amar os dias em que ficar aqui, comigo sempre por perto...
Meu marido e filhos `tão carregando água na peneira pra mim – não posso pegar peso nem de um prato.
Tô com 3 motoristas à minha disposição – meus filhotes adoráveis, que se revezam pra me levar e buscar na fisioterapia e fazem tudo o que sempre fiz sozinha – banco, padaria, supermercado... Bom demais!
Prá completar, ontem minha irmãzinha querida me lembrou que tenho um blog, e que desde que o tal foi criado nunca mais escrevi uma linha sequer, então cá estou eu. Pra ficar mais bonitinha a escrita e com todo o tempo que tô tendo descobri até como colocar acentos e cedilha neste teclado maldito, em que aperto uma coisa e sai outra. Máquina de datilografia é mais fácil – o que tecla aparece.
Enfim, acho bom que não esqueçam das coisas bacanas que faço no atelier e vou continuar fazendo assim que ficar boa. Tenho muitas novidades pro natal (comecem a fazer suas listas de presentes especiais), já que fui a SP e comprei tecidos diferentésimos e lindos.
Tenho muitas fotos pra postar, mas isto ainda não aprendi, então quando minha princesa Lis voltar de viagem ela coloca pra vocês verem.
Bejim
Cândida
Não é à toa que meu apelido na família é Pollyana (todas as minhas amigas já leram Pollyana Menina – Pollyana Moça, aposto). Em tudo o que acontece de ruim sempre vejo o lado bom. Agora, por exemplo, estou com uma inflamação na coluna que me impede de fazer qualquer esforço físico. Além da dor que é constante tem aquele maldito colar que mal me deixa respirar. Resumindo, muitas vantagens:
Vou ficar magrinha porque não consigo comer direito.
To com as cordas vocais praticamente zeradas, há tantos dias sem poder conversar muito.
Fico por dentro de tudo o que acontece no mundo minuto a minuto, já que fico na net todo o tempo. Prá quem detesta computador e tem preguiça até de abrir e-mail tá sendo um bom exercício, é ou não é?
Minha mãe vem me visitar e vamos ficar juntinhas, assistindo até missa e novela (e quem me conhece sabe que tenho irc de tv). Penso que ela vai amar os dias em que ficar aqui, comigo sempre por perto...
Meu marido e filhos `tão carregando água na peneira pra mim – não posso pegar peso nem de um prato.
Tô com 3 motoristas à minha disposição – meus filhotes adoráveis, que se revezam pra me levar e buscar na fisioterapia e fazem tudo o que sempre fiz sozinha – banco, padaria, supermercado... Bom demais!
Prá completar, ontem minha irmãzinha querida me lembrou que tenho um blog, e que desde que o tal foi criado nunca mais escrevi uma linha sequer, então cá estou eu. Pra ficar mais bonitinha a escrita e com todo o tempo que tô tendo descobri até como colocar acentos e cedilha neste teclado maldito, em que aperto uma coisa e sai outra. Máquina de datilografia é mais fácil – o que tecla aparece.
Enfim, acho bom que não esqueçam das coisas bacanas que faço no atelier e vou continuar fazendo assim que ficar boa. Tenho muitas novidades pro natal (comecem a fazer suas listas de presentes especiais), já que fui a SP e comprei tecidos diferentésimos e lindos.
Tenho muitas fotos pra postar, mas isto ainda não aprendi, então quando minha princesa Lis voltar de viagem ela coloca pra vocês verem.
Bejim
Cândida
domingo, 6 de julho de 2008
Finalmente...meu blog!
Cedi aos apelos da evolução (evolução?) e concordei em entrar na era cibernética. Não foi assim tão simples, tipo vou fazer um blog e pronto. Meu marido, filhos e amigos vêm me cobrando há muito tempo, mas consegui protelar alegando falta de tempo. Mentira. Não tenho o menor jeito pra lidar com computador nem qualquer coisa ligada às eletrônicas contemporâneas. Sou amante mesmo é de radinho de pilha que só toca e conversa e não inventa moda.
Mas como não sou Pedrita e o mundo anda, preciso ao menos tentar acompanhar. Lis se prontificou a fotografar algumas das coisas que tenho feito no atelier e montar o blog.
Achei bacana, embora ainda prefira mostrar cada coisa na mão, tomando um cafezinho entremeado de boa conversa.
Acredito que cada um que acessá-lo terá uma boa idéia das coisas que faço e vai ter uma vontade enorme de vir aqui.
Sejam bem-vindos!!!
Cândida
Mas como não sou Pedrita e o mundo anda, preciso ao menos tentar acompanhar. Lis se prontificou a fotografar algumas das coisas que tenho feito no atelier e montar o blog.
Achei bacana, embora ainda prefira mostrar cada coisa na mão, tomando um cafezinho entremeado de boa conversa.
Acredito que cada um que acessá-lo terá uma boa idéia das coisas que faço e vai ter uma vontade enorme de vir aqui.
Sejam bem-vindos!!!
Cândida
BANHO DE SAIS E ERVAS PARA CHUVEIRO
SHORT SAMBA CANÇÃO
VESTIDOS DE RETALHOS
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